SAÚDE MENTAL

Dos 2,2 mil usuários dos CAPS, 19% são de crianças e adolescentes

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Maioria de jovens atendidos pelo CAPS está entre 14 e 18 anos
Maioria de jovens atendidos pelo CAPS está entre 14 e 18 anos

Segundo a Secretaria de Promoção da Saúde, por meio da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, o município de Jundiaí registra atualmente 420 usuários ativos no CAPS Infantojuvenil (CAPS IJ “É Liberdade”), serviço de referência para crianças e adolescentes de até 18 anos. A maior parte do público atendido tem entre 14 e 18 anos. O Jornal de Jundiaí perguntou quantos jovens eram atendidos em 2025, mas a prefeitura informou apenas que o número permanece estável em relação ao ano anterior. O número representa 19% do total de usuários da rede em todos os Centros de Atenção Psicossocial.

Ao todo, a cidade conta com quatro CAPS - CAPS III “Sem Fronteiras”, CAPS II “Bem Viver”, CAPS AD III “Maluco Beleza”, que somam 2.221 usuários ativos. Em 2025 foram realizados 76.667 atendimentos, enquanto em 2026, entre janeiro e março, já foram registrados 16.429 atendimentos, segundo dados ainda parciais. A principal porta de entrada para o serviço são as Unidades Básicas de Saúde (UBS)

Para a médica psiquiatra Salma Rose Imanari Ribeiz, da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), é fundamental diferenciar transtornos mentais de situações pontuais. “Diferente de uma tristeza passageira ou do estresse cotidiano, o transtorno mental é uma síndrome clínica, marcada por prejuízo funcional, quando a pessoa perde a autonomia para trabalhar, estudar ou manter vínculos”, explica.

A especialista destaca que os jovens estão entre os mais afetados. Segundo ela, alguns fatores são preponderantes para isso, como o processo incompleto da maturação cerebral, especialmente do córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos, pressão por desempenho e a exposição intensa ao ambiente digital. “A faixa de 15 a 29 anos apresenta altas taxas de internação psiquiátrica, com predominância de transtornos de ansiedade e depressão, além de abuso de substâncias e comportamentos de autoagressão”, afirma. 

Dados epidemiológicos apontam que, em 2025, foram registradas 21 ocorrências relacionadas ao suicídio no município, sendo três entre pessoas com menos de 29 anos. O monitoramento contínuo por meio de um comitê intersetorial ligado ao Plano Municipal de Prevenção à Automutilação e ao Suicídio tem ajudado a ‘frear’ os números.

Salma explica, ainda, que as meninas apresentam maior prevalência de transtornos de humor e ansiedade. Já os meninos lideram internações por abuso de substâncias e transtornos psicóticos, muitas vezes usando o álcool e as drogas como uma tentativa inadequada de aliviar a dor emocional.

Diagnóstico e Tratamento

A especialista ressalta que o tratamento deve ser clínico e humanizado. Ela ainda chama atenção para a necessidade de prevenção e buscar ajuda antes que o quadro se agrave. “É o que chamamos de biopsicossocial, combinando psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, quando necessário, suporte farmacológico para reequilibrar a neurobiologia”, argumenta. 

A Secretaria de Promoção da Saúde, por sua vez, reforça que o sofrimento psíquico é multifatorial, envolvendo questões sociais, econômicas e familiares, além de fatores como violência, discriminação e uso excessivo de tecnologias.

Salma Ribeiz ressalta a importância de prevenir e buscar ajuda antes de agravar o quadro

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