PRIMEIRO TRIMESTRE

Violência contra a mulher cresce quase 23% em Jundiaí

Por Felipe Torezim |
| Tempo de leitura: 2 min
Casos de violência contra a mulher crescem em todo o país e em Jundiaí não é diferente
Casos de violência contra a mulher crescem em todo o país e em Jundiaí não é diferente

Os casos de violência contra a mulher aumentaram quase 23% em Jundiaí no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Foram registradas 200 violações neste ano, contra 163 no mesmo período de 2025. De acordo com o levantamento, em 2026 foram contabilizadas 70 violações em janeiro, 77 em fevereiro e 53 em março. No ano anterior, os números foram de 22, 30 e 111, respectivamente.

Segundo a advogada e vice-presidente da OAB Jundiaí, Raphaela Lemos, a violência contra a mulher vai além da agressão física. “A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de violência, sendo a física, moral, sexual, psicológica e patrimonial. Todas são graves e causam impactos duradouros na vida das vítimas”, afirmou.

Raphaela explica que existem vários caminhos para denunciar, como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 100 (Disque Direitos Humanos). Se a situação for de perigo imediato, o primeiro número a discar é o 190, a Polícia Militar chega até a vítima e pode garantir sua segurança na hora. “Jundiaí tem uma Delegacia de Defesa da Mulher, que é o lugar ideal para registrar o Boletim de Ocorrência. Mas se a violência acontecer quando ela estiver fechada, não espere: o registro pode ser feito em qualquer outra delegacia da cidade”, diz.  

Ela afirma que, tão importante quanto denunciar é guardar as provas. “Isso significa salvar prints de mensagens com ameaças, fotografar as marcas das agressões e, nos casos de violência física ou sexual, fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal o quanto antes. Muitas mulheres não sabem disso e acabam perdendo provas valiosas”, alerta. 

Após a denúncia, a advogada explica que a Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas de urgência que podem ser determinadas pelo juiz. Para o agressor, a lei permite, por exemplo, que ele seja obrigado a se afastar do lar, proibido de se aproximar da vítima, impedido de fazer qualquer contato e obrigado a entregar suas armas de fogo, por exemplo. Já para a vítima, a lei garante encaminhamento a programas de proteção e atendimento, concessão de auxílio-aluguel de acordo com sua vulnerabilidade e a suspensão de procurações dadas ao agressor, entre outras medidas.

Rede de proteção

A Prefeitura de Jundiaí informa que mantém ações de enfrentamento por meio da Guarda Municipal, com destaque para o programa Guardiã Maria da Penha e o aplicativo Botão do Pânico. Atualmente, 289 mulheres são acompanhadas, sendo 150 com o aplicativo ativo. O programa oferece proteção, orientação e monitoramento de medidas protetivas. “As equipes realizam entrevistas, rondas e visitas periódicas para verificar o cumprimento das decisões judiciais”, destacou a administração municipal.

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