FIM DE UMA ERA

Grupo Belarmino e empresas do atual transporte perdem contrato

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Flávio Paradella
Conglomerados que comandavam ônibus da cidade há anos foram derrotados na nova concessão bilionária definida em leilão na B3, em São Paulo.
Conglomerados que comandavam ônibus da cidade há anos foram derrotados na nova concessão bilionária definida em leilão na B3, em São Paulo.

A licitação que vai definir o novo sistema de transporte coletivo de Campinas marcou o fim de um ciclo histórico no setor. Após anos à frente da operação dos ônibus da cidade, os grupos ligados ao conglomerado Belarmino e ao consórcio formado por empresas que já atuavam no sistema campineiro foram derrotados no certame realizado nesta quinta-feira (5), na sede da B3, em São Paulo.

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Com o resultado do leilão, as empresas que controlavam o transporte coletivo deixam o sistema, abrindo espaço para novos operadores. O modelo vigente era operado por companhias vinculadas ao chamado Grupo Belarmino, responsável pela VB Transportes, além do consórcio formado por Expresso Campibus, Onicamp Transportes e Itajaí Transportes Coletivos, que integravam a estrutura atual do sistema municipal.

No novo modelo, os dois lotes da concessão foram vencidos por outros grupos. O Lote Sul, que reúne as regiões Leste, Sul e Sudoeste da cidade, ficou com a Sancetur - Santa Cecília Turismo Ltda, ligada ao empresário Marco Antonio Abi Chedid. Já o Lote Norte, que engloba as regiões Norte, Oeste e Noroeste, foi arrematado pelo Consórcio Grande Campinas.

Derrota dos atuais operadores

O consórcio que representava os operadores atuais do sistema participou da disputa, mas acabou superado pelos concorrentes. No Lote Sul, o Consórcio VCP Mobilidade, formado por empresas ligadas à operação existente (Campibus, Onicamp e Itajaí), perdeu a disputa para a Sancetur.

Já no Lote Norte, o Consórcio Mov Campinas, ligado ao conglomerado Belarmino, também não conseguiu superar a concorrência e ficou fora da nova concessão.

Com isso, as empresas que operaram o transporte coletivo campineiro por anos deixam o sistema ao final do processo de transição da nova concessão, encerrando um ciclo que marcou o transporte urbano da cidade nas últimas décadas.

Como foi o leilão


Divulgação/PMC

A sessão pública de abertura das propostas financeiras durou cerca de duas horas e reuniu representantes das empresas, autoridades municipais e integrantes do setor de mobilidade urbana.

No Lote Sul, a tarifa de remuneração partiu de R$ 11,21. Após a disputa de lances, a Sancetur venceu ao oferecer R$ 9,54, o que representa deságio de 14,9%.

Já no Lote Norte, a tarifa inicial era de R$ 11,76. Depois de uma sequência de lances, o Consórcio Grande Campinas apresentou a proposta vencedora de R$ 9,49, com deságio de 19,3%.

A chamada tarifa de remuneração é diferente da tarifa paga pelo usuário na catraca. O valor serve como base para calcular os custos da operação, considerando investimentos e despesas do sistema.

Nova concessão

O novo contrato prevê a concessão do transporte coletivo por 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco.

Além da operação das linhas de ônibus, o contrato inclui:

  • atendimento do PAI-Serviço, voltado a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida
  • operação nos terminais urbanos e estações do BRT
  • gestão da bilhetagem eletrônica e sistemas de monitoramento operacional

A nova concessão também prevê renovação da frota com veículos menos poluentes, incluindo ao menos 60 ônibus elétricos nos primeiros anos de operação. Os demais veículos deverão seguir o padrão ambiental Euro 6, além da possibilidade de uso de biometano, GNV ou hidrogênio.

Investimentos previstos

O edital estima R$ 1,7 bilhão em investimentos na renovação da frota ao longo da concessão. Desse total, cerca de R$ 900 milhões serão aplicados nos primeiros cinco anos e R$ 800 milhões na década seguinte.

Outros R$ 1,9 bilhão devem ser direcionados para tecnologia embarcada, infraestrutura e melhorias em terminais e estações.

O sistema de bilhetagem eletrônica também será reformulado. A gestão será feita por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com participação do poder público e das novas operadoras, enquanto a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas terá participação estratégica e função de fiscalização do sistema.

Se não houver questionamentos jurídicos ou impedimentos no processo de habilitação, a expectativa da Prefeitura de Campinas é que os contratos sejam assinados ainda neste semestre, abrindo caminho para a implantação do novo modelo de transporte coletivo na cidade.

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