BOLSO DO CONSUMIDOR

Guerra no Irã pode encarecer até alimentos no Brasil

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Prefeitura de Jundiaí/Imagem ilustrativa
A alta aumenta a pressão por reajuste no diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas.
A alta aumenta a pressão por reajuste no diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas.

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já começa a pressionar setores da economia brasileira e pode refletir no bolso do consumidor, com impacto em combustíveis, frete e até no preço dos alimentos.

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Um dos principais efeitos será no petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, saltou de 72 dólares para mais de 80 dólares em menos de três dias após o início do conflito. A alta aumenta a pressão por reajuste no diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas.

Antes mesmo da escalada da guerra, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) já defendia um aumento no diesel para corrigir a defasagem em relação ao mercado internacional. Um relatório da entidade indicava a necessidade de elevação de cerca de 52 centavos por litro.

Caso o diesel suba, o impacto tende a chegar rapidamente ao frete e à logística. Como a maior parte das mercadorias no país é transportada por caminhões, o aumento nos custos de transporte pode se refletir no preço final de diversos produtos.

O agronegócio também observa o conflito com preocupação. O Oriente Médio é um mercado importante para exportações brasileiras, incluindo carne bovina, frango, açúcar, soja e milho. Cerca de 35% do frango exportado pelo Brasil tem como destino a região, movimentando aproximadamente 3 bilhões de dólares por ano.

No caso do milho, as vendas para países do Oriente Médio somam cerca de 2,7 bilhões de dólares, o equivalente a 32% das exportações brasileiras do grão. O próprio Irã é o principal comprador do milho brasileiro, concentrando 23% das vendas externas do produto.

Outro ponto sensível é o fornecimento de fertilizantes. O Brasil depende da importação desses insumos agrícolas e parte relevante vem de países do Oriente Médio. Em 2025, dos 7,1 bilhões de dólares em produtos comprados pelo Brasil da região, cerca de 2,2 bilhões foram fertilizantes, mais de 14% do total importado pelo país nessa categoria.

Além disso, tensões no Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio global — podem elevar custos de frete e de seguro para navios que passam pela região, afetando cadeias de comércio internacional.

Com informações do Veja.

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