O período de Carnaval, com suas festas, encontros sociais e amplo consumo de álcool e outras substâncias, pode representar um momento de maior vulnerabilidade para pessoas em recuperação de dependência química. Em datas festivas, a combinação de estímulos ambientais, facilidade de acesso a bebidas e mudanças na rotina pode aumentar a probabilidade de recaídas em quem luta para manter a abstinência.
Especialistas observam que festas como o Carnaval criam um contexto em que o consumo de álcool tende a se intensificar, o que pode estimular o desejo de uso em pessoas que já enfrentaram dependência. Ao mesmo tempo, situações sociais de alta euforia e pressão social para “participar da festa” podem ativar lembranças e gatilhos associados ao uso anterior de substâncias, o que eleva o risco de recaídas.
Por que o Carnaval aumenta o risco de recaída
Carnaval envolve festas prolongadas, maior disponibilidade de álcool e outras substâncias, além de estímulos emocionais intensos, como música alta e privação de sono. Esses fatores podem interferir na capacidade de manter a disciplina adquirida no tratamento e aumentar o impulso de uso.
Sinais de alerta
Identificar mudanças de comportamento é fundamental para prevenção de recaídas. Alguns sinais de alerta incluem:
- Mudanças bruscas de humor ou irritabilidade;
- Isolamento social ou afastamento de grupos de apoio;
- Afastamento dos hábitos saudáveis estabelecidos durante a recuperação;
- Comentários sobre “só uma vez” ou minimização de riscos relacionados ao uso de álcool ou drogas.
Ao notar esses comportamentos, é importante conversar com a pessoa de forma aberta e sem julgamento, reforçando os motivos pelos quais ela decidiu permanecer em tratamento e lembrando os progressos alcançados.
Como pessoas próximas podem ajudar
O apoio social é um dos pilares da prevenção. Familiares e amigos podem:
- Planejar atividades alternativas que não envolvam álcool ou drogas;
- Acompanhar a pessoa em ambientes seguros e com rotinas previsíveis;
- Estabelecer um plano de apoio com sinais de alerta e acordos prévios sobre como agir em situações de risco;
- Estimular a participação em grupos de apoio ou terapia de manutenção.
- Informar-se sobre os momentos de maior risco e manter uma comunicação constante e empática pode fazer diferença para que o Carnaval seja vivido com segurança e sem comprometer a recuperação.
O acolhimento, a escuta ativa e o suporte contínuo contribuem para reduzir a chance de recaídas e fortalecem a trajetória de quem busca uma vida longe do uso de substâncias.
Estratégias para evitar recaída
"Geralmente, me concentro evitando pessoas, lugares e situações de risco e coloco tudo na balança decisória: o que é melhor para mim? Enfrentar aquela situação ou recuar, refletir e pedir ajuda?", diz o consultor de dependência química da Francisca Júlia Bem Estar Mental, em São José dos Campos (SP). Ele compartilha outras estratégias no vídeo abaixo, assista.