O desembargador José James Gomes Pereira, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), é investigado pela Polícia Federal por suspeita de participar de esquema de venda de decisões judiciais em processos de grilagem de terras. O magistrado, afastado do cargo por um ano, chegou a receber supersalários de até R$ 200 mil, com gratificações e auxílios incluídos. As informações são do Metrópoles.
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Segundo levantamento no Portal da Transparência do tribunal, José James acumulou R$ 2,5 milhões em rendimentos brutos nos últimos dois anos: cerca de R$ 72 mil líquidos por mês. A PF afirma que ele e a filha, a advogada Lia Rachel, receberam vantagens indevidas em troca de decisões favoráveis a empresários e advogados.
Pagamentos milionários e decisão comprada
De acordo com o relatório da investigação, o empresário João Antônio Franciosi, dono do grupo Franciosi, teria pago R$ 26 milhões para obter decisão judicial favorável no processo de disputa por uma fazenda de 22,5 mil hectares no Piauí. O dinheiro, segundo a PF, foi repassado a advogados intermediários que mantinham contato com o gabinete do desembargador.
A filha do magistrado também é suspeita de atuar diretamente nas decisões do pai, influenciando o andamento de processos. Ela teria recebido parte dos valores do esquema na compra de uma casa de luxo em Teresina.
O que dizem os citados
A defesa de José James afirmou que o desembargador “nunca solicitou, autorizou ou compactuou com qualquer prática ilícita” e que os fatos estão sob segredo de Justiça. Já o empresário Paulo Ramos, também investigado, declarou que atuou dentro da legalidade e que todas as movimentações financeiras de sua empresa são “transparentes e declaradas ao fisco”.
A PF apura a atuação de empresários, advogados e servidores públicos suspeitos de integrar a rede de corrupção no TJPI.