O Carnaval acabou, mas o elevado consumo de álcool no Brasil, principalmente entre os jovens, não é pontual. Dados recentes apontam que ao menos 25% dos jovens brasileiros já relataram padrões de consumo excessivo de álcool, evidenciando um problema de saúde pública que afeta não apenas o aspecto físico e mental, mas também o convívio familiar e o ambiente de trabalho.
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Especialistas alertam para a urgência de políticas de prevenção e tratamento, enquanto instituições e profissionais dedicados à dependência química trabalham para mitigar os impactos dessa epidemia silenciosa.
Em entrevista ao portal SAMPI, Juliana Azevedo, gerente de Tratamento de Dependência Química da Instituição Francisca – Julia Bem-Estar Mental –, destacou que “a dependência alcoólica é uma doença crônica que afeta a saúde física, emocional e mental do indivíduo”. Segundo ela, os pacientes enfrentam sérios problemas com o sono, alimentação irregular, negligência com a higiene pessoal, dificuldade de concentração e isolamento social.

Juliana Azevedo, gerente de tratamento
de dependência química
Sinais de dependência
“Observamos uma perda significativa de interesse em atividades que antes eram prazerosas, o que prejudica não só a rotina do dependente, mas também os seus relacionamentos pessoais e profissionais”, explicou Juliana.
A profissional ressaltou ainda que o alcoolismo gera impactos profundos no ambiente familiar, contribuindo para conflitos e até violência doméstica, além de comprometer o ambiente de trabalho com mudanças comportamentais e riscos à integridade física dos envolvidos. “O alcoolismo afeta não apenas o indivíduo, mas toda a família e a sociedade”, afirmou.
Quanto aos sinais de alerta, Juliana Azevedo apontou que “mudanças drásticas de humor, perda de interesse por atividades antes prazerosas, dificuldade em cumprir responsabilidades e isolamento social são indicativos de que o consumo de álcool está se tornando uma dependência”. Ela também ressaltou a importância de identificar esses sintomas precocemente para evitar a progressão da doença.
Políticas públicas de combate ao alcoolismo
No que diz respeito às políticas públicas, a gerente reconheceu que o Brasil dispõe de iniciativas como a Política Nacional sobre Álcool e outras Drogas e a atuação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem tratamento gratuito e multidisciplinar. No entanto, defendeu que “é necessário ampliar o acesso aos serviços de tratamento, investir em capacitação profissional especializada e fortalecer a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde”.
Juliana também abordou a relação entre o consumo excessivo de álcool e transtornos como ansiedade e depressão, explicando que “o álcool pode proporcionar um alívio temporário, mas agrava esses transtornos a longo prazo, causando alterações neuroquímicas que afetam o humor e a capacidade de tomada de decisão”. Ela alertou que o uso contínuo pode levar a problemas cognitivos graves, como dificuldades de memória e concentração, além de aumentar o risco de demência precoce.
Diante desse cenário, especialistas e autoridades defendem a implementação de campanhas de conscientização e programas de prevenção mais efetivos, especialmente entre os jovens, para reverter a tendência de consumo descontrolado e minimizar os danos causados pelo alcoolismo.