A tragédia que atinge o Rio Grande do Sul despertou a solidariedade no país e mobilizou governos, entidades e pessoas comuns com o intuito de ajudar e diminuir o impacto do cataclisma climático que assola a população gaúcha.
Desde o início do mês, o Governo do Estado de São Paulo oferece apoio ao Rio Grande do Sul por conta das enchentes causadas pelo desastre climático. O Estado enviou agentes de segurança, viaturas, embarcações e toneladas de doações para as cidades atingidas. As ações fazem parte da mobilização que a Defesa Civil e outros órgãos do governo fazem em apoio à população do Rio Grande do Sul.
São Paulo enviou mais de 100 integrantes das policiais militares do Comando de Policiamento Ambiental, do Corpo de Bombeiros, do Comando de Aviação da Polícia Militar de São Paulo e da Defesa Civil para as terras gaúchas. Os agentes atuam com o apoio de três helicópteros Águia e um avião King Air.
“Reforçamos as equipes do Governo de São Paulo empenhadas em apoiar as ações de salvamento e resgate junto às autoridades gaúchas em um momento tão difícil. Nossos corações e orações estão com vocês. Toda solidariedade ao povo gaúcho. Vocês não estão sozinhos”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Desde 1º de maio no Rio Grande do Sul, o porta-voz da Defesa Civil Estadual, capitão Roberto Farina, destacou a atuação do órgão no escoamento da ajuda humanitária. “Os helicópteros-águia estão voando a região metropolitana de Porto Alegre a todo momento. Nós estamos coordenando as Defesas Civis municipais para ajudar pontualmente algumas regiões. A parte de busca, salvamento e socorro está sendo realizada com outras forças na parte norte do estado”, disse Farina.
Divulgação/Governo de SP
E a cada dia, o trabalho se mostra vital para o enfretamento de tamanha calamidade. Um exemplo foi o salvamento de um bebê pelos profissionais que atuam no helicóptero Águia da Polícia Militar paulista no Rio Grande do Sul na última quarta-feira. Os militares realizaram a remoção da criança de um hospital em Sapucaia do Sul para Porto Alegre, capital do estado.
A aeronave fez o transporte do bebê em uma incubadora. Por causa da gravidade e sensibilidade do caso, foi fundamental a utilização do Águia, que conta com a UTI aeromédica, para remoção do bebê entubado. Esse foi mais um resgate realizado pelos profissionais paulistas que estão no sul do país ajudando as vítimas das chuvas.
No mesmo dia, os policiais também resgataram mais cinco pessoas que precisavam de ajuda médica no estado. Um homem que não podia se locomover por estar com uma perna machucada foi retirado do local pelo helicóptero Águia.
O major do Comando de Aviação da PM Joscilênio Fernandes estava pela região quando a equipe foi chamada para o resgate. A área era aberta, e os policiais conseguiram retirar as quatro pessoas em segurança. “Ser capacitado para ajudar o próximo não tem preço”, disse.
Cavalo Caramelo
Divulgação/Governo de SP
A triste cena do cavalo em cima do telhado emocionou o país. O animal ilhado em Canoas se equilibrava no ponto mais alto de uma casa submersa. E foi uma equipe dos Bombeiros de São Paulo que conseguiu resgatar o Caramelo, como foi batizado, que estava há quatro dias no teto da residência. A força-tarefa foi montada com a participação de veterinários da Polícia Militar de São Paulo e foi liderada pelos Bombeiros paulistas.
O capitão Tiago Franco liderou a mobilização e contou detalhes da operação de salvamento. “Quando chegamos encontramos o animal em uma situação debilitada”, conta o capitão. “Tentamos nos aproximar de maneira calma, fizemos a contenção física, os veterinários vieram com os medicamentos. Após a sedação, deitamos o cavalo numa balsa de salvamento e fizemos a extração em segurança.”
O animal, de 350 quilos, foi deitado no bote e seguiu por quase meia hora em um percurso de quatro quilômetros até chegar ao ponto seco da cidade, e enviado a um hospital veterinário para receber os cuidados necessários.
Doações
Na última remessa divulgada, São Paulo tinha enviado 25,4 toneladas de donativos às vítimas das fortes chuvas no Rio Grande do Sul. A ação é parte da campanha coordenada pelo governo em solidariedade à população gaúcha e que conta com o apoio do Poupatempo, da Sabesp e da Secretaria de Transportes Metropolitanos. Além disso, a Polícia Civil de São Paulo enviou mais de 20 toneladas de doações arrecadados por meio de uma campanha do Grupo Especial de Reação (GER).
Entre os itens transportados estavam paletes de água potável, itens de higiene pessoal, alimentos, ração animal e cestas básicas.
A campanha humanitária paulista entrou em uma nova etapa, na qual a prioridade é o recebimento de doações de cestas básicas e alimentos não perecíveis no prazo de validade para atendimento às necessidades da população gaúcha.
A doação de água potável e produtos de limpeza (como água sanitária, desinfetante, sabão em barra, sacos de lixo etc.) e higiene (creme dental, escova de dente, sabonete, shampoo e condicionador, etc) também deve ser mantida.
Produção agropecuária
Ricardo Stuckert/PR
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mobilizou o setor do agro paulista em apoio às comunidades rurais e urbanas atingidas pelo desastre climático no estado do Rio Grande do Sul. O Governo de São Paulo oferecerá doações e suporte técnico a produtores atingidos pela tragédia.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da USP em Piracicaba, lembrou que o Rio Grande do Sul é o principal estado produtor de arroz do Brasil e com as intensas chuvas, há o potencial de reduzir significativamente as rendas dos orizicultores do estado, o que gera preocupação com o abastecimento no Brasil e seus impactos custo de vida das famílias, especialmente as mais pobres.
Segundo pesquisadores do Cepea, a colheita, que já estava bastante atrasada em relação a anos anteriores, pode ser ainda mais prejudicada. Colaboradores consultados pelo Cepea relatam que as recentes tempestades deixaram as lavouras debaixo d'água, inviabilizando as atividades. Além disso, algumas estradas estão interditadas, o que também dificulta o carregamento do cereal.
“Isso afeta, obviamente, o Brasil como um todo em termos de inflação. Então, os números ainda são imensuráveis, em termos de perdas. Perdemos lavouras, além de armazéns”, destacou o pesquisador do CEPEA/Esalq-USP, Thiago Bernardino de Carvalho.
O Governo federal autorizou a importação de arroz e, com a medida, ficou autorizada a compra de até 1 milhão de toneladas do alimento para evitar desabastecimento.
Reconstrução
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anunciou que serão necessários, ao menos, R$ 19 bilhões para executar o plano de reconstrução do Estado. O cálculo baseia-se em estimativas preliminares e em comparativos com os esforços empregados para responder ao desastre ocorrido em setembro de 2023 no Vale do Taquari.
Os esforços extraordinários abrangem diversas frentes, como apoio à agropecuária e a empresas; recuperação ou reconstrução de escolas, hospitais, rodovias, estradas, pontes, edificações e equipamentos públicos, centros de assistência social e casas prisionais; e reforma e construção de unidades habitacionais.
“Nessa estimativa preliminar, estamos considerando itens de impacto sobre o orçamento do Estado para atender, especialmente, questões de infraestrutura e viabilizar programas de moradia para famílias atingidas. Então, outros itens podem ser acoplados, além dos relacionados à prevenção”, explicou o governador.
O plano de reconstrução inclui, também, organização de abrigos e casas de passagem; restabelecimento de serviços essenciais (água, energia e comunicação); medidas de emprego e renda; reurbanização de locais atingidos; organização de novos loteamentos; apoio a negócios e à produção local com crédito subsidiado, linhas especiais e prorrogação de licenças; remoção de escombros e destinação de resíduos; e medidas ambientais para recuperação de ecossistemas degradados.