DIFICULDADE

Aeronáutica só entrega 80 de 1.500 toneladas de doações ao RS

Por Cézar Feitoza | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Joédson Alves/Agência Brasil
Base aérea de Brasília recebe doações para os atingidos das chuvas no estado Rio Grande do Sul
Base aérea de Brasília recebe doações para os atingidos das chuvas no estado Rio Grande do Sul

A FAB (Força Aérea Brasileira) identificou uma série de dificuldades logísticas para a distribuição de doações para as cidades mais afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul - entraves que dificultam o envio de roupas e garrafas d'água para os gaúchos. Segundo levantamento da Aeronáutica, somente 5% das doações foram enviadas ao Sul até quinta-feira (9). Ao todo, 80 de 1.500 toneladas arrecadadas desde sexta (3) aterrissaram no estado.

Oficiais da Força Aérea afirmaram à reportagem que as equipes envolvidas na operação no Rio Grande do Sul têm relatado duas principais dificuldades para a distribuição das doações. A primeira é o fato da Base Aérea de Canoas ser pequena e não ter capacidade para armazenar tantos itens. Os militares ainda têm enfrentado impasses para distribuir as doações com o nível da água ainda alto em Porto Alegre e demais regiões afetadas próximas à capital.

Por isso, a grande quantidade de itens recebidos pela FAB não têm vazão tão rápida, e os bens arrecadados devem ser distribuídos ao longo de semanas.

A Força Aérea centralizou as doações da campanha "Todos Unidos pelo Sul" nas bases aéreas do Galeão, no Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. As áreas militares ficam abertas das 8h às 18h, sem necessidade de agendamento prévio para entregar os donativos. "Toda doação para a campanha é recebida por militares da FAB. É válido destacar, no entanto, que a sugestão de doação prioritária é a de itens não perecíveis", disse a Aeronáutica, em nota.

Segundo a FAB, a logística de distribuição é "planejada conforme a necessidade de alocação e distribuição do material doado no estado do Rio Grande do Sul". Na Base Aérea de Brasília, dois hangares foram tomados por doações. Há montes de caixas e sacos com roupas, e engradados de garrafas d'água são empilhados para caber no local.

Alimentos não perecíveis, papel higiênico e sacos com ração para cachorros e gatos também são amontoados em grande quantidade no pátio em que costumam ficar estacionadas as aeronaves do Esquadrão Guará.

A Força Aérea Brasileira está atuando em conjunto com as demais Forças Armadas e órgãos de segurança do Rio Grande do Sul para enviar doações e resgatar vítimas da catástrofe que assola o estado. São 17 aeronaves usadas pela FAB - entre elas o KC-390, cuja capacidade é de 26 toneladas, e o KC-30, de 45 toneladas.

A última atualização sobre a operação foi feita pela Aeronáutica às 20h de quarta (8). Havia 1.023 militares da Força envolvidos no apoio aos gaúchos, e 1.838 pessoas tinham sido resgatadas. Foram salvo ainda 210 animais domésticos, feitas 44 evacuações aeromédicas e transportadas 240,7 toneladas de material de apoio - incluindo um hospital de campanha montado pela Marinha em Guaíba (RS).

A FAB atua com o Ministério de Portos e Aeroportos na logística para a retomada de voos comerciais no Rio Grande do Sul. O plano envolve a abertura de bases militares para companhias aéreas, com foco inicial em Canoas (RS). A abertura se dará em três fases. A primeira, que começou na quarta, foi uma parceria da FAB com a Azul Linhas Aéreas para o envio de mantimentos arrecadados pela empresa.

A segunda fase da operação começou no dia seguinte com a participação de quatro companhias aéreas realizando voos humanitários, para envio de mantimentos e doações para as vítimas dos temporais no Rio Grande do Sul. A terceira e última fase envolve o transporte de cidadãos gaúchos que se encontram fora do estado e de turistas que ficaram presos no Rio Grande do Sul. A expectativa é que os voos comecem a ser realizados na próxima semana.

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