POLÍTICA

Lula: Papel do estado não é atender megaempresários que 'só servem para pedir bilhões',

Por | Da redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/@LulaOficial
'Tem gente que não precisa do Estado, mas tem muita gente que precisa e é para essa gente que o Estado precisa existir', disse o mandatário.
'Tem gente que não precisa do Estado, mas tem muita gente que precisa e é para essa gente que o Estado precisa existir', disse o mandatário.

Em evento no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (7), o presidente Lula (PT) disse que o papel do Estado é atender à população pobre do Brasil, e não megaempresários que "só servem para pedir bilhões". O presidente fez uma comparação entre pessoas de baixa renda que compram fiado (compram e pagam depois) e ricos que tomam empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) .

"O pobre é o seguinte: quando ele compra o pão e o leite fiado e ele não pode pagar, ele para de passar na frente da padaria. Ele tem medo de falarem que está devendo", disse Lula, que acrescentou: "O rico, não. O rico gosta de dizer que está devendo. Para ele é uma coisa charmosa de dizer: - eu peguei R$ 5 bilhões do BNDES, juros de longo prazo, cinco anos de carência e vou pagar em 15 anos?"

Segundo apuração da Folha de SP, as declarações do chefe de estado contrariam o programa anunciado por ele próprio, no início de janeiro, para impulsionar a indústria. Batizado de Nova Indústria Brasil, o plano prevê incentivos e empréstimos, inclusive do BNDES, para o desenvolvimento do setor nacional.

No programa, O BNDES vai gerenciar R$ 250 bilhões em projetos focados em produtividade, inovação, digitalização e descarbornização na indústria nacional. No entanto, economistas apontam que o plano pode inchar o banco de desenvolvimento.

Hoje, Lula participou da inauguração da escola municipal que ficará no lugar da antiga Arena 3, no Parque Olímpico, zona oeste do Rio. No discurso, ele voltou a defender que a prioridade do governo é a população de baixa renda.

"Tem gente que não precisa do Estado, mas tem muita gente que precisa e é para essa gente que o Estado precisa existir. [...] O Estado tem obrigação de garantir oportunidade para que todas as pessoas possam vencer na vida. Esse é o papel do Estado. Não é para atender megaempresários, que cada vez que vão à presidência só servem para pedir bilhões, bilhões e bilhões", enfatizou.

O NOVO PAC
O evento no Rio inaugurou o Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, cujo nome homenageia a jogadora e treinadora de vôlei homônima que morreu em 2022 em decorrência de síndrome aguda respiratória. A atleta foi homenageada no evento e citada por Lula no discurso.

O presidente também lançou a pedra fundamental do que será o campus Parque Olímpico/Cidade de Deus do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), que ficará onde era a Arena 2. R$ 15 milhões serão destinados à construção do espaço.

À tarde, Lula também anuncia o início da construção do campus do IFRJ no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. O investimento também será de R$ 15 milhões, oriundos do Ministério da Educação. Os terrenos para os centros de ensino técnicos foram cedidos pela prefeitura do Rio.

Ontem (6), o presidente anunciou que vai fazer campus do IFRJ em Belford Roxo, Magé, São Gonçalo e Teresópolis.

Os recursos das obras estão previstos no novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê verba de R$ 3,9 bilhões para a construção de 100 unidades dos institutos federais.

"Eu queria que houvesse a compreensão dos setores mais altos da sociedade de compreender que o que a gente está fazendo é tentar elevar a classe brasileira, a sociedade brasileira, a subir um degrau da escala social. Ninguém gosta de ser pobre", disse Lula nesta quarta.

O presidente está no Rio de Janeiro desde terça-feira. No primeiro dia de sua visita, Lula preferiu agendas em Magé e Belford Roxo, cidades da Baixada Fluminense que são redutos bolsonaristas com uma grande parcela da população evangélica.

No primeiro evento, Lula trocou afagos com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - repetindo a estratégia que fez na semana passada, quando também fez acenas a outro governador próximo do ex-mandatário, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.

Já na segunda agenda, em Belford Roxo, o petista deixou de lado sua promessa de cessar os ataques ao antecessor e chamou Bolsonaro de maluco, aloprado e ignorante.

Comentários

2 Comentários

  • Katia 07/02/2024
    Sempre fico de olho nas empresas de ônibus, empresas aéreas, hiper lojas etc
  • Duda 07/02/2024
    É impressionado que digam isso, pois sempre dizem que as empresas no Brasil, se autogerem! Então, precisam de “esmolas” de bilhões?! Ah tá! Kkkk povo da época na monarquia querendo mamar no Governo eternamente!