Aproveitar sobras de comida é quase uma obrigação moral, num mundo onde ainda há muita fome e pouco apetite para resolver o problema. Assim, junto a esta precariedade político-econômica, que conduz milhões à morte em países em guerra ou naqueles onde desenvolvimento ainda é sonho, tocam-me os desafios de plantio, colheita, armazenagem e logística. Quando tudo dá certo, e o trabalho agrícola torna-se mais ameno com a ajuda da tecnologia e das pesquisas em laboratórios, ainda me parece um pecado, se não um crime, jogar fora o que é passível de ser transformado na cozinha, laboratório onde a frase de Lavoisier pode ser revisitada muitas vezes: tudo se transforma.
Nos países cujos povos já enfrentaram conflitos, pestes e desastres ecológicos, o cuidado com os alimentos está presente no dia a dia. O pão amanhecido vira torradas para entradinha básica, farinha para empanar, farofa para gratinar, pudim para arrematar. Frutas diversas representam a possibilidade de saladas e tortas ou molho para saladas. Pedaços de queijo de diferentes tipos, quando ralados e misturados enriquecem omeletes, fritadas e bolos. Legumes temperados com azeite e vinagre, assados até que fiquem bem desidratados, conservam-se durante dias na geladeira e são sempre bem recebidos. Arroz é base para canjas e entra em outras elaborações das quais o arroz-de-festa, composição onde se mesclam aos grãos outras sobras- de carnes, palmito, tomates, queijo, é bem expressivo. Mas é como bolinho que este grão, uma das primeiras culturas agrícolas do homem, mais impressiona como produto de sobras.
No Brasil, onde o arroz compõe com o feijão o prato mais consumido e amado pela população, ele só chegou no começo do século XIX. Desconhecido nas Américas, foi introduzido com êxito nos Estados norte-americanos do Sul onde se adaptou muito bem. A essa altura, já desempenhava papel vital na alimentação dos chineses. Na China, há séculos sua presença na mesa é tão importante que há até uma crença entre alguns segmentos, segundo a qual ele possui uma “alma”. Nas representações artísticas, especialmente nas artes plásticas e na literatura, aparece como símbolo, índice e até personagem. Dá para imaginar chinês jogando sobra de arroz no lixo? Impossível. Mas no Brasil, onde a cultura do desperdício está associada à exuberância da natureza e se faz presente em muitos momentos, isso é bem mais comum do que parece. Nossa sugestão é para que tal não aconteça. Veja que fácil.
Cheque a lista de ingredientes e tire do armário o liquidificador. Coloque no copo o óleo, os ovos inteiros (gemas e claras), o queijo ralado. Bata por um minuto. Desligue. Junte algumas colheradas de arroz e volte a bater. Repita a operação aos poucos, até ficar tudo bem homogeneizado. Coloque a mistura numa tigela e vá acrescentando aos poucos a farinha de trigo e o fermento anteriormente peneirados. Agregue o cheiro verde picado bem miudinho. Volte a misturar bem. Para formatar os bolinhos, retire porção de massa com uma colher de sopa e abra-a na palma da mão untada com óleo. Deposite no centro um pedacinho do queijo Provolone previamente cortado em cubinhos. Feche a bolinha. Depois que todas estiverem recheadas, bata bem os ovos, passe pela farinha de pão e frite em óleo quente, aos poucos, de quatro em quatro, até que fiquem douradas. Retire com espumadeira e disponha sobre papel para que fiquem bem secas. Sirva em seguida, para aproveitar o queijo em sua forma derretida no meio do bolinho.
INGREDIENTES
3 ovos
1 xícara (chá) de arroz branco cozido
½ xícara (chá) de óleo
½ xícara (chá) de queijo Parmesão (ou Minas meia cura) ralado
Sal a gosto
½ xícara (chá) de cheiro verde picado
1 colher (chá) de fermento em pó
1 ½ xícara (chá) de farinha de trigo
1 ½ xícara (chá) de queijo Provolone em cubos
Óleo para fritar
Para empanar
2 ovos batidos
1 xícara (chá) de farinha de rosca
porção: 16 bolinhos
dificuldade: fácil
preço: econômico