Entre as nuvens, com radicalidade e segurança


| Tempo de leitura: 2 min

Manter-se sobre as nuvens nunca foi sinônimo de medo para jundiaiense Cristiano Nabas, 35 anos. Destemido, conheceu na adolescência o parapente, uma modalidade esportiva de voo livre, onde o praticante sobrevoa diferentes locais, suspenso em uma cadeira amarrada a uma lona.

A leve semelhança com o paraquedismo é apenas pela aparência do equipamento, já que o segredo do parapente é permanecer em voo utilizando a força do vento, enquanto o segundo consiste em queda livre e dura apenas alguns minutos.

Há vinte anos cumprindo o ritual de se lançar de grandes pontos e se manter por até quatro horas no ar, Cristiano já percorreu vários países do mundo competindo na modalidade e hoje é o único instrutor de parapente em Jundiaí. “Faço porque gosto, mas não sobrevivo disso”, explica ele, que atua como técnico em equipamento odontológico.

Mesmo demonstrando uma coragem que poucos têm, Cristiano alerta que o parapente é um esporte que deve ser praticado respeitando todas as regras de segurança. “Voo com diversos equipamentos necessários para que tudo ocorra de maneira tranquila”, explica.

Entre os itens, estão cintos de segurança e mosquetões, necessários para manter o praticante preso na cadeira, além de GPS e ‘wind meter’, equipamentos eletrônicos para garantir a localização e medir a velocidade do vento. “É um esporte radical. Sei que qualquer decisão errada pode me prejudicar, inclusive apresentando risco de morte”, revela.

Além de fazer voos livres, Cristiano é um dos poucos praticantes de parapente no Brasil que pratica o voo acrobático, modalidade onde manobras ousadas são feitas no ar com o equipamento.

Além do prazer pelo esporte, o parapente trouxe outras conquistas para a vida de Cristiano. Casado com Kelly Siqueira, 27, conheceu a esposa entre um voo e outro. “Ele foi meu professor, e hoje praticamos o parapente juntos, além de estarmos casados”, diz a moça.

Aos poucos, o esporte cresce na região. Nesses anos, Cristiano já formou mais de 300 alunos. Hoje, o curso de formação do praticante mais a compra de todos os materiais necessários estão avaliados em R$ 12 mil.

Altura
Instrutor do Aeroclube Politécnico de Planadores (APP) de Jundiaí, José Eduardo Faria, 66, é piloto há 14 anos. Nesse tempo, acumulou quase quatro mil horas de voos, entre aeronaves motorizadas e planadores. Sem nunca ter sofrido acidentes, Faria - como é conhecido - revela que os praticantes do voo planado devem buscar formação com instrutores competentes. “É necessário um bom profissional, além do respeito aos fenômenos meteorológicos, já que dependemos de condições climáticas para voar.”

Na cidade, as aulas do APP acontecem no aeroporto de Jundiaí. Quem deseja obter certificado de piloto de planador deve realizar de 25 a 30 horas de voo, sendo que cada hora de instrução custa entre R$ 200 e R$ 300.

Comentários

Comentários