Vivemos em meio a uma realidade agressiva, vingativa, egoísta, corrupta e complexa. Falo realidade por ser uma experiência coletiva, mas que não se pode presumir universal, pois muitos preferem o inverso: a paz, o perdão, a solidariedade, a honestidade e a simplicidade. Preferem um mundo feliz. Essa forma de pensar e agir, mais positiva, deveria ser a regra de conduta da maioria das pessoas. Se olhássemos com um pouco de atenção perceberíamos que todos estamos no mesmo barco, e que os sentimentos e ações de alguns sempre repercutem nos outros para o bem ou o mal, não importando se as pessoas percebem isso ou não. Nesse contexto de ações e reações impactando no meio social e familiar, ampliadas pela facilidade da comunicação e liberdade de expressão – que, diga-se, tem sido sutilmente cerceada um pouco a cada dia -, sob desculpa do exercício do livre-arbítrio muitos despejam seus piores sentimentos no mundo, sem pesar as consequências de sua belicosa atitude. Não raros falam tudo o que pensam, doa a quem doer, como se fosse virtude expandir sua aflição e raiva a qualquer um que estiver no raio de suas insinuações. Isso é transparência agressiva, não honestidade. Não é mandatório falar tudo em voz alta (falada ou teclada), podemos silenciar para não aumentar o mal. E se falarmos, devemos ter consciência que não agradaremos a todos. Bom seria recordar que não precisamos nos magoar, chatear ou entristecer com rejeições ao nosso modo de pensar, pois reações são sinais de como o outro pensa e sente de forma geral, não sobre nós especificamente. Aliás, muito nos surpreenderíamos se pudéssemos perceber que, quase sempre, quem reage agressivamente é aquele que, amargurado, sofre sem admitir. Todos estamos em crise com o amor, parece ser essa doença do século. E nesse clima de aflição é aparentemente mais simples apedrejar o outro do que ter empatia pelo que ele vive, sente ou pensa – assim como nós. Vivemos em um mundo em que tudo está parecendo só preto ou branco. Vivemos de extremos. Sem dúvida não está fácil para ninguém. Mas, não há vitória sobre si mesmo sem esforço na superação. Se nos sentimos mal amados tantas vezes, e se mesmo assim desejamos estar num mundo diferente, melhor, tenhamos compreensão de que julgar quem nos julga é também desamor. VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.