Com o fechamento de muitos estabelecimentos comerciais e a diminuição momentânea no número de vagas de emprego, a culinária caseira foi uma alternativa encontrada para que as famílias pudessem ter uma fonte de renda extra durante a pandemia. Enquanto alguns empresários lutam para não fechar as portas, novos empreendedores surgem e se reinventam ao abrir novos negócios, geralmente de dentro de suas próprias casas e em meio ao isolamento social.
É o caso de Márcio Roberto Patelli que, junto com sua esposa Mara Rubia Lima Patelli e sua mãe, Marilene Machado Patelli, começaram a produzir torresmo, petiscos a pururuca e doces como brownies e sonhos em sua casa na Vila Hortolândia. Mesmo com outras atividades, Patelli conta que a venda destes produtos compõem uma parte fundamental da renda da família.
“Sou técnico em eletrônica e minha esposa é enfermeira. Começamos com a produção mais ou menos há um ano, quando ela estava desempregada e hoje as vendas representam cerca de 50% de toda a nossa renda mensal. Em média, vendemos 200 brownies, 200 sonhos e aproximadamente 100 quilos de pururuca por semana", comenta.
Entre os benefícios destes produtos está a facilidade de produção com utensílios normais de cozinha. "Fazemos na nossa própria cozinha, que tem uma ótima estrutura. Assadeiras do tamanho adequado e um bom fogão fazem toda a diferença, além de muito prazer em cozinhar para as pessoas. Nossa produção é feita de acordo com as encomendas que recebemos", diz.
Durante a pandemia, o trabalho da família aumentou. "No período da quarentena, tivemos um aumento considerável no número de pedidos e tenho gasto mais tempo com mais essa ocupação, através de vendas pela internet, do que em meu trabalho como técnico", finaliza.
ADEQUAÇÕES
A produtora Daiane Chiqueto, de 36 anos, começou no ramo de balas de coco em 2016, mas viu a demanda cair no começo da pandemia e agora tenta reconquistar a confiança da clientela. “Logo no começo os pedidos foram reduzidos para quase zero, principalmente por conta do cancelamento das festas. Depois de um tempo as pessoas foram perdendo o medo de se contaminar via delivery ou por meio das comidas, mas agora os pedidos estão de volta. Hoje eu vendo até um mais do que antes da pandemia, pois os clientes estão mais em casa, gastando menos fora e consumindo mais esses produtos caseiros”, comenta.
Com o aumento da popularidade de seus produtos, Daiane tem se dedicado somente a isso há anos. “Comecei na cozinha do meu apartamento e precisei alugar uma casa maior para aumentar a produção. Eu e minha mãe fazemos tudo e tenho uma cozinha própria para isso, porém tudo é feito de forma caseira e artesanal. Recebemos os pedidos e realizamos a entrega através de motoboys’, afirma.
Ao longo do tempo, novas ideias foram surgindo, como as receitas de balas recheadas, de diversas cores e sabores. “Atualmente, vendemos de 70 a 100 potes por semana, e o preço de cada um varia entre R$25 a R$ 32”, completa.
Quase metade dos brasileiros viu sua renda familiar diminuir com a pandemia do coronavírus, aponta pesquisa Datafolha. Entre informais, autônomos e empresários, a perda de renda atingiu dois de cada três entrevistados.
Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros constataram redução de sua renda familiar devido à pandemia. Outros 45% dizem que a renda de sua família ficou igual e 9% tiveram aumento do rendimento familiar, mesmo em meio à crise.
A queda é maior entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos (48%). Já os que ganham de dois a cinco salário mínimo, 46% relatam perda da renda.