O momento que o mundo enfrenta despertou muitas vontades e desejos que eram deixados de lado por muitas pessoas. Um deles é o sonho do intercâmbio para um país do exterior, seja para trabalho ou estudo.
De acordo com Priscila Ruiz, diretora de uma agência de intercâmbios de Jundiaí, o número de jovens que buscam a atividade aumentou desde o início da pandemia. “Os estudantes já estão se programando para 2021 e 2022. Muitos planos já fechados foram realocados. A vontade de estudar fora não diminuiu, pelo contrário, acredito que só tenha aumentado”, conta.
Priscila ressalta que a pandemia intensificou a vontade, principalmente dos jovens, de vivenciar a experiência de estudar no exterior. “A maioria deles tem entre 16 e 18 anos e passar por uma situação como a que estamos vivendo aumenta a ‘vontade de viver’. Eles querem sair de casa, estudar fora, morar sozinhos e ainda aprender uma cultura e língua nova. A pandemia intensificou a vontade de aproveitar mais a vida”, afirma.
Michele Thais Rodrigues, 33 anos, sempre teve o sonho de estudar no exterior. Está em San Diego, nos Estados Unidos desde o começo de março. Mesmo com a pandemia, resolveu ficar no país. "Cheguei no dia sete e uma semana depois começou a pandemia. Eu tive opção de voltar para o Brasil, mas decidi ficar, pois esperei muito tempo essa oportunidade na minha vida e não podia jogar fora. Além disso, meus pais sempre me incentivaram muito", relata a jovem.
Michele conta que no começo foi muito difícil, principalmente por não dominar o inglês. "Acredito que no começo juntou tudo. Saudades de casa, medo do covid, vivenciar uma cultura totalmente diferente da nossa e sem falar inglês direito. Não foi fácil, mas criei coragem e resolvi viver esse momento mesmo querendo voltar para a casa todos os dias", afirma.
Hoje, após seis meses de intercâmbio, a estudante já consegue se virar sozinha no país e não pensa em voltar nos próximos dois anos. "Não tenho previsão para voltar ainda, estou aproveitando o máximo que posso aqui e, mesmo no meio da pandemia, está sendo uma experiência inesquecível", conta.
A jovem Taleessa Silva Rodrigues, 25 anos, vive a mesma situação. Embarcou em outubro de 2019 para um intercâmbio cultural e de estudo na cidade de Alamo, a 45 minutos de San Francisco, na Califórnia. “Trabalho como Au Pair. Moro com uma família americana e cuido dos filhos deles. Estar aqui na pandemia é difícil, pois além de estar longe de casa, minha host family segue a quarentena à risca, pois são médicos”, conta.
Taleessa conta que a pandemia a pegou desprevenida, já que uma das razões do intercâmbio era conhecer o país. “Saímos algumas vezes para algumas necessidades, mas eu viajei para os EUA para conhecer o país e melhorar meu inglês, e parte disso não está se realizando. Já pensei em voltar para o Brasil várias vezes, mas o que me faz continuar é a esperança que tudo vai passar logo. Ainda tenho muito o que fazer e aprender”, afirma a jovem, que pretende voltar para o Brasil em novembro de 2021.
Reabertura
Priscila conta que alguns países já reabriram a fronteira para que os intercambistas entrem. “A Irlanda e a Inglaterra são exemplo disso, desde que a pessoa permaneça 14 dias em quarentena quando chegar. Nesse período, você pode fazer aulas on-line e, após esse período começar presencialmente”, explica.
E completa. “Além disso, alguns países estão fazendo um esquema ‘combinado’, ou seja, uma parte do intercâmbio é realizado aqui no Brasil, com aulas remotas on-line. Quando as fronteiras reabrirem, os estudantes poderão embarcar e continuar o curso presencialmente”.
A diretora da agência conta que o intercâmbio pode oferecer muitos benefícios para a vida e a carreira dos jovens e até mesmo adultos. “O principal deles é vivenciar a cultura do país e aprender o novo idioma. Isso enriquece muito, principalmente se pensarmos nos jovens, que vão estudar com os nativos e em um sistema completamente diferente do nosso. Além disso, auxilia no domínio da língua e até mesmo no regresso ao Brasil, pois ele se torna uma pessoa mais pró-ativa, com uma melhor noção de mundo e de responsabilidades”, afirma.