Passaporte de ouro


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A imagem nas redes sociais me emociona como uma foto de família. Contemplo cada semblante sem um pingo de pressa. São jovens jogadores de futebol, que o destino reservou novas profissões na vida, mas que jamais abandonaram os seus campos dos sonhos, de correrem atrás de uma bola.

Desde meninos tiveram a virtude de consolidar a amizade coletiva do time. Foi assim muitos e muitos anos pelos gramados da cidade e principalmente nos campeonatos do Clube Jundiaiense.

Sempre unidos pela emoção que empilha em campo os jogadores em delírio. O convite chegou para a disputa de um torneio internacional. A famosa Copa AFIA, agência de turismo que realiza campeonatos de futebol em vários países pelo mundo.

Desta vez foi em Portugal. Evento coberto com televisão ao vivo e arbitragem profissional. Nossos jovens futebolistas se entusiasmaram. Um aceno ã ambição de se unirem de novo, agora num país distante. Ale Botelho, o capitão, e Deco iniciaram a montagem do time. Chamaram o competente Beto Aleixo para treinador.

Do gol à ponta esquerda, passando pelo banco de reservas, montou-se um belo time de fazer inveja aos mais preparados. Fabiano Mingotti, um dos nossos maiores goleiros, foi convocado, pela experiência e categoria.

Alexandre Botelho, o grande capitão da equipe. Olha aí o comandante Anderson Davo, Alexandre Vendrami, o Caco, Leandro Bizetto e Samuel Barbieri.

Na "meiuca" o delegado Seleguim, engenheiro Helinho Sandoval, Roger e Andrezinho, o Deco, e a elegância do Jorge Rodrigues, o Barata.

No setor de ligação, os inquestionáveis Daniel Alvarenga, o Chaina, Renato Tega e Renato Gambini, habilidade e categoria.

Na frente os empolgantes Celsinho, Shibuka, Marquinhos, o "filho do vento", Rafinha e "el tanque" Daniel", estes filhos do lendário Bene, um dos maiores craques do futebol brasileiro.

E a surpreendente silhueta de Betão, luminosa criatura, símbolo do time, com seus cabelos reluzentes de prata.

Foram seis times na competição. A maioria formada por ex-profissionais. O grande nome de um deles era Jardel, centroavante que jogou no Grêmio e fez grande carreira em Portugal.

As vitórias do time de Jundiaí se sucederam: 4 a 1, 3 a 0 e a finalíssima, contra o favorito PMDF, uma consagradora vitória de 2 a 0. Tudo isso teve cobertura, por televisão ao vivo, pelo canal da AFIA, para o mundo todo.

O narrador internacional Edmar Pimba, não se cansou de elogiar o time campeão, apelidando, com muito carinho, nossos jogadores. Fica na nossa história e em meu álbum de família.

Uma grande equipe. Tão grande quanto a flama que incendiou os jogadores, um bando de meninos a rolar pela grama na alegria do gol do título.

Um por um, talvez a maioria, faz parte da minha própria historia pessoal afetiva. Guardo já saudoso a foto do time campeão. Ela guarda todos os sentimentos que se vive no futebol. Traz de volta, o outrora, a imagem das mãos dadas, com o pequeno filho, em busca de seus sonhos, nos campos de futebol.

O destino lhe concedeu outra profissão, mas não esqueceu de lhe reservar esta forte e grandiosa emoção ao seu pai. Bendita seja nossa vida.

GUARACI ALVARENGA é advogado.

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