VOTAÇÃO

Abstenção de 136 mil eleitores desafia eleição na RMJ

Por Diná de Melo | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
No segundo turno, campanhas querem mobilizar maior número de eleitores
No segundo turno, campanhas querem mobilizar maior número de eleitores

O segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), coloca diante das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro um desafio na Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ): mobilizar os 136.113 eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, em 4 de outubro. O contingente representa 21,51% dos 632.857 eleitores aptos nas sete cidades. Em uma disputa pela Presidência da República, a capacidade de levar parte desses eleitores às urnas pode influenciar o resultado.

Levantamento com base nos resultados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Jarinu registrou a maior abstenção proporcional da região, com 24,66%. Dos 26.768 eleitores aptos, 6.600 não votaram. Na outra ponta aparece Louveira, com 20,98% de ausências, o menor índice entre os municípios analisados.

Jundiaí concentrou o maior número absoluto de faltosos: 71.520 pessoas, o equivalente a 21,17% do eleitorado. Em Várzea Paulista, foram 18.127 ausências (21,39%); Campo Limpo Paulista registrou 12.694 (21,36%); Itupeva, 10.817 (22,35%); e Cabreúva, 8.120 (22,29%). Em Louveira, 8.235 eleitores não compareceram, e a abstenção foi de 20,98%.

O índice regional ficou ligeiramente acima da média nacional de 21,08%, diferença de 0,43 ponto percentual. No total, 496.744 moradores da RMJ compareceram às urnas no primeiro turno.

Abstenção cresceu em quatro cidades

A comparação com a eleição presidencial de 2022 revela aumento da abstenção em quatro dos cinco municípios com dados históricos levantados. Várzea Paulista apresentou a maior elevação, passando de 18,50% para 21,39%, crescimento de 2,89 pontos percentuais.

Em Jundiaí, o índice subiu de 19,29% para 21,17%. Itupeva passou de 20,61% para 22,35%, enquanto Cabreúva avançou de 20,95% para 22,29%. Campo Limpo Paulista foi a exceção, com pequena redução, de 21,48% para 21,36%. Para o cientista político Henrique Parra Parra Filho, a capacidade das campanhas de mobilizar seus apoiadores é determinante para o comparecimento. “Com certeza o maior fator de abstenção é a mobilização, o engajamento que as campanhas conseguem sobre seu eleitorado”, afirma.

Ele ressalta, porém, que parte das ausências decorre de dificuldades como distância e problemas de saúde, o que estabelece limites para a redução dos índices. Na avaliação do especialista, as campanhas ainda podem recuperar parte dos votos perdidos pela ausência de eleitores. “Em quase todas as cidades de nossa região seria possível tentar reduzir cerca de 2% de abstenção neste segundo turno e, ao que me parece, foi o foco das duas campanhas”, analisa.

Parra Filho considera que Flávio Bolsonaro já havia mobilizado parte de seus apoiadores no primeiro turno, diante da possibilidade de vitória de Lula naquela etapa. Segundo ele, a campanha petista intensificou os esforços para levar às urnas eleitores que manifestaram intenção de votar no presidente, mas não compareceram em 4 de outubro. A efetividade dessa mobilização será conhecida após o encerramento da votação. A redução das ausências pode ter peso importante na disputa presidencial, embora não seja possível antecipar qual candidatura será beneficiada.

O que o eleitor precisa saber

A votação deste domingo ocorre das 8h às 17h. Em São Paulo, a escolha será apenas para presidente da República. Quem não votou no primeiro turno poderá participar normalmente do segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. Segundo os chefes dos três cartórios eleitorais de Jundiaí, não há mudanças previstas nos locais de votação do município. A informação também foi confirmada para Itupeva. Ainda assim, a orientação é consultar a seção pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do TSE.

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