O proprietário de um açougue na Ponte São João, em Jundiaí, que foi assaltado junto com a esposa no estabelecimento na tarde da última segunda-feira (19), levou um susto ao encontrar, na feira do mesmo bairro, na manhã desta quarta-feira (21), um dos homens que participaram do crime. “Ele foi o que saiu rindo da nossa cara quando fugiu”, disse o comerciante ao Jornal de Jundiaí. O comerciante estava com a esposa na feira para comer um pastel. “Ela ficou apavorada ao vê-lo novamente, toda tremendo”, contou.
O suspeito havia sido solto na tarde desta terça-feira (20), durante audiência de custódia um dia após o roubo. “Acabamos vendo ele na rua menos de 48 horas após o crime e a prisão”, lamentou o comerciante, indignado com a soltura do suspeito pela Justiça.
Já o comparsa dele, que é motorista de aplicativo e suspeito de ser o mentor e líder da quadrilha, teve o flagrante convertido em prisão preventiva e ficou preso.
A Polícia Civil investiga para identificar e responsabilizar os outros dois adolescentes integrantes da gangue.
ACOMPANHE O DESABAFO
“No dia do assalto, passamos por uma situação desagradável: um roubo. E esse que vimos hoje na feira foi justamente o que saiu rindo da nossa cara. Ele foi preso depois, mas acabou solto.
Eu e minha esposa decidimos hoje ir até a feira comer um pastel. Chegamos à primeira barraca, em uma das extremidades da feira, mas ela já estava fechada. Então, decidimos atravessar a feira até a outra barraca. Enquanto caminhávamos, olhei para o outro lado e vi um rapaz empurrando um carrinho de supermercado, aparentemente em situação de rua, junto com algumas pessoas que pegavam frutas de uma barraca que havia disponibilizado os alimentos para elas.
De repente, me deparei com ele. Foi uma experiência traumática. Ele tinha acabado de me assaltar. É um absurdo isso! A polícia fez todo um trabalho enorme para prendê-lo e, menos de dois dias depois, eu o encontro na feira. Ele me viu, me reconheceu e saiu andando. E a minha esposa, meu Deus, ficou muito nervosa ao vê-lo novamente. Ficou tremendo por causa do trauma que passamos (eles foram ameaçados de morte e obrigados a abaixarem a cabeça) e agora se deparou com ele também na feira. Foi um trabalho enorme da polícia para, depois, a gente passar por essa situação.
Eu não sei, né? A gente não pode julgar a situação de ninguém por estar recebendo alimentos, mas ele fez o que fez e hoje estava lá, de chinelinho, andando pela feira, enquanto somos nós que ficamos com o estresse e o trauma. No final das contas, desistimos do pastel e fomos embora. Porque não tem condição de passar por isso. É uma situação muito incômoda.
Foi a cereja do bolo ir à feira e encontrar o rapaz que me assaltou. Quanto mais a gente falar sobre o que está acontecendo, sobre esse sistema, mais podemos ganhar força. Porque não é possível que só o outro lado tenha força.”
O ASSALTO
Pouco depois das 13h de segunda-feira, três homens entraram no açougue se passando por clientes. Eles separaram mais de R$ 3 mil em peças de carne e, na hora de passar pelo caixa para efetuar o pagamento, um deles simulou estar armado e ordenou que as vítimas abaixassem a cabeça, fazendo ameaças de morte. A proprietária chegou a entrar em estado de choque, segundo informações apuradas pelo Jornal de Jundiaí.
O investigador Renatinho, do 2º DP (Parque da Represa), que já havia trabalhado no 3º DP (Ponte São João), foi acionado pela vítima e compareceu ao local acompanhado do investigador Pig. Enquanto eles colhiam informações sobre os criminosos, chegaram os guardas municipais F. Nascimento e Guerra, que se juntaram aos policiais civis.
Após uma rápida conversa para traçar uma estratégia de buscas, as equipes iniciaram um trabalho conjunto e, em pouco tempo, os guardas encontraram o carro usado na fuga, estacionado no Jardim São Camilo. Próximo ao veículo estavam dois homens suspeitos de participação no crime. Ao perceberem que seriam abordados, eles correram em direções opostas.
Os guardas conseguiram abordar o proprietário do carro, que trabalha como motorista de aplicativo. Ele resistiu à prisão e precisou ser contido à força. Ao mesmo tempo, os policiais civis conseguiram deter o outro suspeito, de 18 anos (que foi justamente o homem que as vítimas encontraram na feira).
Durante os questionamentos, o motorista alegou que não sabia do roubo e que havia apenas realizado uma corrida de trabalho. A versão foi contestada pelo rapaz, que afirmou que o motorista teria sido o “cabeça” da ação.
Também foi apurado que outros dois adolescentes participaram do assalto. Eles serão investigados.
Os dois detidos foram conduzidos ao 2º DP, onde foram presos em flagrante.
Os produtos roubados não foram recuperados.

Os dois adolescentes que estão sendo procurados pela Polícia Civil