Receber o diagnóstico de câncer de mama pode trazer medo, insegurança e mudanças na rotina. Em meio a consultas, exames e tratamentos, contar com alguém por perto para ouvir, acompanhar e conversar faz toda a diferença ao longo dessa jornada. É o caso de Adriana Fernandes Rodrigues, de 48 anos, que trabalha há 13 anos no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) e descobriu o câncer de mama em 2025. Acostumada a realizar os exames de acompanhamento desde os 40 anos, ela recebeu o diagnóstico depois que sua médica identificou um pequeno nódulo durante a consulta.
“Em janeiro de 2025, a doutora Denise realizou um exame das mamas e identificou um pequeno nódulo diferente. Diante da alteração, decidiu investigar. Em seguida, foram iniciados diversos exames e, alguns meses depois, a biópsia confirmou o diagnóstico de um tumor maligno do tipo triplo negativo. O tratamento teve início em agosto, com quimioterapia. Inicialmente, estavam previstas quatro sessões com o medicamento conhecido como ‘vermelho’, seguidas de outras 12 sessões com o ‘branco’. No entanto, devido à queda da imunidade, foi necessário prolongar o tratamento, que foi concluído em fevereiro deste ano”, conta Adriana.
Em março, a paciente passou pela cirurgia para retirada do quadrante da mama e, em julho, iniciou as sessões de radioterapia, concluídas no início de agosto. Ao lembrar do momento em que recebeu o diagnóstico, ela conta que sentiu tristeza, mas decidiu concentrar suas forças no tratamento. “Quando recebi o diagnóstico, fiquei muito triste, mas pensei: se eu me abalar, não vai adiantar. Eu sabia que tinha cura”, relata.
Uma rede construída no caminho
Durante todo esse período, Adriana encontrou apoio dentro e fora do hospital, com familiares e amigos que estiveram ao seu lado. Mas foi também entre mulheres que vivenciavam experiências semelhantes que ela encontrou uma forma especial de acolhimento. Uma dessas pessoas foi uma colega de trabalho, que atua no setor de Higiene do HSV e que também enfrentou um tratamento contra o câncer. As duas passaram a conversar e acompanhar uma à outra durante os momentos mais difíceis.
“Uma dava apoio para a outra. Sempre estávamos conversando e perguntando: ‘E aí, você está bem? Ter uma rede de apoio é muito importante para encarar a doença de uma forma diferente. Dar força uma para a outra, incentivar uma à outra, mostrar que tudo isso é uma fase que alguém teve que passar. Isso fortalece a todas nós”, ressalta Adriana. Para ela, essa troca mostra que uma rede de apoio não precisa ser formada apenas por grandes gestos. Muitas vezes, estar disponível, ouvir e demonstrar preocupação já representa muito para quem está passando pelo tratamento contra o câncer.
No HSV
Atualmente, o Hospital São Vicente acompanha 1.741 pacientes com câncer de mama. Em 2026, 680 novos pacientes com esse diagnóstico iniciaram acompanhamento na instituição. No período, foram realizadas 2.332 sessões de quimioterapia e 2.340 sessões de radioterapia, além de 227 cirurgias de mama, integrando as diferentes etapas do cuidado oncológico oferecido aos pacientes do SUS.
Durante a campanha Outubro Rosa, o Hospital São Vicente reforça a importância de olhar para o câncer de mama para além do tratamento. O cuidado também passa pelo acolhimento, pela escuta e pela presença de familiares, amigas e outras mulheres que podem oferecer suporte durante essa trajetória. Cada paciente enfrenta o diagnóstico e o tratamento de uma maneira diferente. Por isso, respeitar o tempo, os sentimentos e os limites de cada mulher também é uma forma de cuidar.
Para Adriana, a experiência deixou uma mensagem a ser compartilhada com outras mulheres que estejam passando pela mesma luta. “Não desista. Se cuide. Tenha fé e acredite que vai dar tudo certo, pois para Deus, tudo é possível”, conclui.