Em 15 de setembro, é celebrado o Dia Internacional da Democracia e, neste ano, essa data antecede uma das maiores conquistas dessa forma de organização social: as eleições com voto direto, secreto e universal. No entanto, em um panorama de campanhas baseadas em ataques, observa-se uma população desinteressada em debater e, até mesmo, em se deslocar até as urnas.
O Dia Internacional da Democracia foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2007, com o objetivo de promover o ideal democrático e sua importância para o desenvolvimento dos países, tendo como princípio a igualdade entre as pessoas.
Não se pode esquecer que, em um passado não muito distante, a população brasileira não podia eleger seus representantes. Foi com muita luta e muitas perdas que o voto direto foi garantido.
Em circunstâncias ainda mais difíceis, as mulheres conquistaram o direito de votar e de participar dos pleitos eleitorais como candidatas. Foi em 1932 que o Decreto nº 21.076 instituiu o Código Eleitoral e estabeleceu o direito de voto sem distinção de sexo, após décadas de mobilização. Vale a ressalva de que, em pleno 2026, ainda há quem defenda que a mulher seja submissa ao homem e não possa manifestar sua preferência nas urnas. Por sorte, são atos isolados, que aparentam buscar apenas fama por meio de questões polêmicas.
Também, a Ordem dos Advogados do Brasil foi fundamental para a redemocratização do país através do movimento Diretas Já. Nesse sentido, seguindo seu papel de defesa e promoção da democracia, a Subseção de Jundiaí realizou um encontro com candidatos aos cargos de deputado estadual e deputado federal, com domicílio eleitoral no município. Destaca-se a participação, no dia 21 de setembro, de Edicarlos Vieira e Pedro Bigardi, que buscam uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Já no dia 22, compareceram os postulantes à Câmara dos Deputados: Antônio Carlos Albino, Luiz Fernando Machado, Rosaura Almeida e Silas Feitosa.
As perguntas, sorteadas pelas Comissões de Direito Eleitoral e Constitucional da Instituição, abordaram temas como saúde, segurança pública, meio ambiente, impostos, entre outros. O público presente e as milhares de pessoas que acompanharam as transmissões pelas redes sociais tiveram a oportunidade de ouvir propostas, em duas noites de convivência pacífica e respeitosa.
Por outro lado, nos horários eleitorais, os presidenciáveis não seguem o mesmo caminho. Diante de campanhas que trazem apenas ataques, em vez de projetos, parece que eleger um representante é optar pelo candidato menos envolvido em polêmicas.
O direito ao voto é universal. Muitas pessoas se sacrificaram para que, hoje, os brasileiros pudessem eleger diretamente seus representantes. Portanto, mesmo que haja desânimo com as eleições, é papel fundamental de todo cidadão e cidadã exercer seu direito de escolher quem governará o país e os Estados da Federação nos próximos anos.
Daniel Orsini Martinelli é advogado, presidente da OAB Jundiaí, membro da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas, IBDCONT e IBDFAM.