Vivemos um período em que precisamos pensar em política. Ela está nas redes sociais, nos grupos de mensagens, nas conversas entre amigos e familiares e, principalmente em época de eleições, ocupa uma parcela enorme da nossa atenção e isso é necessário. Independentemente de posicionamento ou preferência política, existe uma pergunta que vale para todos: quanto desse cenário estamos permitindo que entre no nosso corpo, já que a política e os assuntos relacionados ao futuro do nosso país têm nos trazido mais preocupações do que alegrias?
Incerteza, medo, indignação, discussões constantes e exposição excessiva às notícias podem manter nosso organismo em estado permanente de alerta. E o corpo responde. O sistema nervoso autônomo participa dessa adaptação: diante da percepção de ameaça, aumenta a mobilização para ação, associada à resposta de “luta ou fuga”. O problema não é ativar esse mecanismo, ele é fundamental para nossa sobrevivência. O problema é não conseguir sair dele e cair num ciclo cumulativo de tensões constantes.
Quando o estresse se prolonga, pode interferir no sono, aumentar a tensão muscular, alterar o humor e contribuir para uma sensação permanente de cansaço e inquietação. O estresse crônico tem repercussões tanto psicológicas quanto físicas. E, em períodos politicamente
intensos, talvez precisemos aprender não apenas a escolher em que acreditar, mas também a escolher quanto daquilo vamos consumir.
Informar-se é importante. Participar da vida democrática também. Mas isso não significa permanecer conectado às notícias durante todo o dia ou transformar cada encontro em um debate. É possível ser consciente do que acontece no país sem manter o organismo permanentemente em estado de ameaça.
E existem pequenas estratégias que podem ajudar a não cair nesta armadilha e perder saúde.
Comece pela respiração. Reserve alguns minutos, inspire suavemente pelo nariz e prolongue a expiração, sem forçar. A respiração lenta e consciente pode favorecer mecanismos relacionados à regulação autonômica e ajudar o organismo a migrar de um estado de alta ativação para um estado mais compatível com recuperação e repouso.
Movimente-se. Caminhe, treine algo, alongue-se ou simplesmente saia ao ar livre. O corpo precisa de movimento para lidar com as cargas acumuladas ao longo do dia. Crie também
pequenos rituais de desaceleração: um banho quente, um escalda pés com óleos essenciais ou ervas, uma música tranquila, alguns minutos longe do celular, uma xícara de chá de camomila, melissa ou erva-cidreira. Aromas agradáveis, como lavanda, também podem fazer parte desse momento. Mais importante do que procurar uma solução milagrosa é ensinar ao corpo, repetidamente: agora você pode desacelerar.
E talvez uma das atitudes mais importantes seja estabelecer limites para o consumo de informação. Escolha horários para acompanhar as notícias. Desligue notificações. Evite discussões que não levam a lugar algum. Antes de dormir, dê ao cérebro um intervalo das redes sociais, das telas.
As eleições vão passar. Divergências políticas continuarão existindo. Mas o seu organismo não precisa viver todos esses meses como se estivesse diante de uma ameaça permanente, pois a fatura da saúde pode chegar bem depois e ser bem cara!
Cuide daquilo que você permite ocupar a sua mente. Respire. Movimente-se. Durma. Encontre momentos de silêncio. Preserve seus vínculos. Porque exercer a cidadania também pode significar cuidar de si e nenhuma discussão política deveria custar a sua saúde. Muita saúde a todos!
Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil