A Petrobras prevê que o Amapá poderá começar a produzir petróleo em águas ultraprofundas dentro de seis a sete anos. A estimativa foi apresentada neste sábado (15) pela presidente da estatal, Magda Chambriard, um dia depois de a empresa anunciar a identificação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas.
Localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço está em uma área com lâmina d’água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, parte da chamada Margem Equatorial. A Petrobras é a operadora e possui 100% de participação no bloco. A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e indicativos encontrados nas rochas durante a perfuração.
A descoberta, porém, ainda não permite afirmar o tamanho da possível reserva nem se a produção será economicamente viável. A perfuração continua justamente para reunir mais informações sobre as características da área. Segundo a Petrobras, será necessário definir o porte da descoberta antes de estabelecer um projeto de desenvolvimento.
Nova fronteira
A Margem Equatorial é considerada uma das principais fronteiras exploratórias do país e se estende pelo litoral de estados do Norte e do Nordeste. A região ganhou importância para a estratégia da Petrobras diante da necessidade de reposição das reservas nacionais e da perspectiva de redução da produção do pré-sal na próxima década.
Para a estatal, o resultado obtido no Amapá reforça o potencial petrolífero da região e pode contribuir para a segurança energética brasileira no médio e longo prazo. A descoberta também é considerada relevante por confirmar expectativas geológicas sobre a área, embora especialistas ressaltem que ainda existe um longo caminho entre a identificação de hidrocarbonetos e o início da produção comercial.
A previsão de seis a sete anos considera as etapas necessárias após a descoberta. A Petrobras ainda precisa concluir a avaliação exploratória, dimensionar o possível reservatório e verificar sua comercialidade. Somente depois dessa fase será possível definir o modelo de desenvolvimento e os investimentos necessários para transformar a descoberta em produção.
O anúncio coloca o Amapá no centro da estratégia da Petrobras para ampliar suas reservas e reforça a aposta da estatal na Margem Equatorial. Antes de chegar à fase de produção, porém, a empresa ainda terá de concluir a avaliação do poço e definir o tamanho e o potencial comercial da descoberta.