Houve um tempo em que o luxo era facilmente reconhecido. Estava estampado na bolsa de grife, o sapato de salto, relógio importado, carro do ano ou viagem internacional. Eram símbolos visíveis de sucesso, conquistados para serem admirados. Mas algo mudou.
Hoje, principalmente entre mulheres acima dos 40 anos, o verdadeiro luxo ganhou outro significado. E, curiosamente, ele não cabe em uma vitrine. São mulheres com roupa de academia andando livremente pela cidade sinalizando que o tênis tomou o lugar do salto alto por um motivo maior. O novo luxo é acordar sem dor!
É conseguir brincar com os filhos ou os netos sem receio de travar a coluna. É subir uma escada sem falta de ar, carregar as compras do supermercado sem depender de alguém, viajar sem precisar calcular quantos analgésicos colocar na mala e curtir a cada segundo sem restrições.
É ter energia no fim do dia para viver, e não apenas sobreviver à rotina. Cada vez mais mulheres perceberam que saúde não é apenas ausência de doença. É autonomia. É liberdade. É independência.
A ficha caiu ao perceber que o dinheiro pode comprar conforto, mas não compra um corpo saudável se ele foi negligenciado durante décadas. Não existe cartão de crédito capaz de devolver uma musculatura perdida pelo sedentarismo. Não há bolsa de grife que substitua uma boa mobilidade articular. Nem hotel cinco estrelas que elimine, por mágica, dores provocadas por anos de descuido com o próprio corpo.
Por isso, cresce o número de mulheres que deixam de investir apenas na aparência para investir em algo muito mais valioso: a capacidade de viver bem. Elas procuram profissionais que possam oferecer muito mais do que estética.
Buscam conhecimento, prevenção, fortalecimento, mobilidade, consciência corporal e estratégias que lhes permitam continuar independentes pelos próximos anos. Deixam o álcool e as comidas de mentira para fazer escolhas mais saudáveis. Desinflamam corpo e mente.
Buscam meditação, yoga e equilíbrio. Essa é uma mudança silenciosa, mas extremamente poderosa.
Durante muito tempo, o mercado vendeu a ideia de que envelhecer era o problema. Hoje entendemos que o problema não é envelhecer. O problema é chegar aos anos mais maduros perdendo funções que poderiam ter sido preservadas. Envelhecer é inevitável. Perder qualidade de vida, muitas vezes, não é.
A ciência já demonstra que força muscular, equilíbrio, mobilidade, coordenação e capacidade cardiorrespiratória respondem aos estímulos do exercício em qualquer idade. Quanto mais cedo esse investimento começa, maiores são os dividendos no futuro. É como uma aplicação financeira.
O exercício físico deixa de ser apenas uma ferramenta para emagrecer e passa a ser uma estratégia para preservar aquilo que tem mais valor: a autonomia. Porque autonomia significa escolher, fazer as melhores escolhas.
Escolher continuar trabalhando porque deseja, e não porque o corpo já não permite outra opção. Escolher viver plenamente. Talvez esse seja o maior símbolo de status dos nossos tempos. Não parecer mais jovem. Mas chegar aos 90 anos com saúde suficiente para aproveitar tudo aquilo que o dinheiro, sozinho, jamais poderá comprar.
O verdadeiro luxo não está na etiqueta da roupa. Está na liberdade de um corpo e uma mente empoderada, que continua respondendo aos sonhos. E esse patrimônio começa a ser construído cedo. Ele nasce toda vez que escolhemos cuidar do corpo, investir em profissionais qualificados e entender que movimento não é um gasto de tempo. É o investimento mais rentável da vida. Muita saúde a todos.
Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil