EM ANO ELEITORAL

Secretário de Segurança rejeita "solução mágica" ao crime

Por Diná de Melo |
| Tempo de leitura: 3 min
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Rigo diz que uma política de segurança eficaz depende de diagnóstico territorial
Rigo diz que uma política de segurança eficaz depende de diagnóstico territorial

Enquanto candidatos de todos os espectros políticos prometem fórmulas rápidas para reduzir a criminalidade na corrida eleitoral de outubro, o secretário municipal de Segurança Pública de Jundiaí, Guilherme Rigo, faz coro contrário: para ele, segurança pública não se resolve com discurso de campanha. A avaliação foi dada em entrevista ao Podcast JJ, à editora-chefe Ariadne Gattolini.

"Todo mundo é especialista em segurança pública, todo mundo sabe qual solução deve ser aplicada", ironizou Rigo, ao comentar promessas eleitorais de reforço policial genérico. Para o secretário, o enfrentamento ao crime exige "um conjunto de ações baseadas em critérios empíricos, em fatos" — não uma "virada de chave" isolada, como aumentar o efetivo ou comprar mais armamento.

Enquanto a segurança pública se firma como tema central da campanha de outubro, a gestão do prefeito Gustavo Martinelli avança em ações na área. Segundo Rigo, a Guarda Municipal vai chamar 50 novos guardas — cinco vezes mais do que previa o edital original de 2023 — elevando o efetivo para cerca de 500 agentes, o maior da história da corporação. Os novos guardas passarão por 800 horas de formação, ao longo de cinco meses, no CIES.

A gestão também renovou o fardamento — uniformes Invictus, mesma marca usada pela Polícia Rodoviária Federal — e recebeu uma viatura semi-blindada Trailblazer, destinada por emenda parlamentar do deputado federal Delegado da Cunha (PL).

No campo tecnológico, a cidade aderiu ao reconhecimento facial em outubro de 2025, integrado ao programa estadual Muralha Paulista, e expande sua rede com 15 novas torres de vigilância em bairros comerciais. A cidade também conta com mais de 450 pontos de leitura de placas nas divisas de bairros e entradas do município. Rigo credita à tecnologia mais de 600 prisões por mandado e 1.400 em flagrante só no ano passado — mais de 2 mil prisões ao todo — além de queda nos crimes de furto e roubo de veículos.
Para mapear o crime pela cidade, a gestão adotou o que Rigo chama de teoria dos círculos concêntricos: o centro e seu entorno concentram majoritariamente furtos, enquanto os crimes mais violentos — incluindo tortura psicológica contra famílias — se concentram nas áreas rurais, onde criminosos estudam a rotina das propriedades antes de agir. Para enfrentar esse padrão, a Guarda Municipal criou a Ronda Rural, com equipes permanentes nessas regiões.

Apesar dos números, o secretário reconhece que o perfil da criminalidade mudou: crimes patrimoniais caem, enquanto crescem os golpes virtuais e a violência doméstica. Rigo citou o programa Guardiã Maria da Penha, que acompanha mais de 200 mulheres sob medida protetiva com o Ministério Público estadual, e alertou para uma tendência recente: agressões que atingem também crianças e adolescentes, não só mulheres.

Sobre o tráfico de drogas, Rigo evitou soluções simplistas. Para ele, o combate a pontos de venda locais é necessário, mas insuficiente sem ação federal contra a entrada da droga no país — Jundiaí, lembrou, funciona como polo logístico regional, o que também atrai quadrilhas de outros estados especializadas em furtos de mercadoria. O secretário mencionou o recrutamento de crianças por facções — citou o caso de um menino de 8 anos apreendido no comércio de drogas — e recorreu à sociologia, evocando a tese clássica de Émile Durkheim de que o crime é um fenômeno social presente em toda sociedade, ainda que isso não deva ser lido como resignação diante dele.

A entrevista reforça um ponto que deve acompanhar o debate eleitoral local: para o próprio gestor da pasta, uma política de segurança eficaz depende de diagnóstico territorial, integração entre forças e um Estado mais rígido na aplicação de penas, mais do que de uma medida isolada.

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