OPINIÃO

A Copa da longevidade


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Durante muito tempo, imaginávamos que a carreira de um jogador de futebol terminava  por volta dos 35 anos. Depois dessa idade, o declínio físico parecia inevitável. Hoje, esse cenário está mudando rapidamente. A Copa do Mundo de 2026 simboliza uma nova era do esporte. Nunca foi tão comum ver atletas próximos dos 40 anos, ou até acima deles, competindo no mais alto nível e incrivelmente bem. Há pouco mais de uma década, imaginar diversos jogadores disputando um Mundial nessa faixa etária seria praticamente impensável.

O que mudou? A resposta não está apenas no talento ou na genética. Ela está na forma como o corpo passou a ser acompanhado e cuidado. A longevidade esportiva deixou de depender exclusivamente da capacidade física e passou a ser resultado de um acompanhamento profundo, individualizado e contínuo. Hoje, as equipes monitoram praticamente tudo o que acontece com o organismo dos atletas.

Durante os treinamentos, coletes equipados com GPS registram a distância percorrida,
 velocidade, acelerações, desacelerações e carga de esforço. Fora do campo, relógios, anéis inteligentes e outros dispositivos acompanham a qualidade do sono, a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca, um importante indicador da capacidade do sistema nervoso autônomo de responder ao estresse e se recuperar. De forma simplificada, quanto melhor essa variabilidade, maior costuma ser a capacidade do organismo de suportar cargas de treinamento, estresse e recuperar-se adequadamente.

Esses dados não ficam armazenados apenas no dispositivo. Eles chegam diariamente às equipes médicas, fisioterapeutas, preparadores físicos e fisiologistas, que interpretam as informações para ajustar o treinamento, reduzir cargas quando necessário, programar períodos de recuperação e identificar sinais precoces de fadiga antes que se transformem em lesões. 

Além desse monitoramento, estratégias de recuperação ganharam enorme importância. É conhecida, por exemplo, a rotina de Cristiano Ronaldo, que inclui controle rigoroso do sono, da alimentação e do treinamento, além de recursos voltados para a recuperação muscular e o controle dos processos inflamatórios, como crioterapia, sauna, terapias compressivas, câmaras hiperbáricas, utilizadas para favorecer a oxigenação dos tecidos e auxiliar determinados processos de recuperação. Há muitos recursos.

A boa notícia é que essas tecnologias deixaram de ser exclusividade do esporte de alto rendimento. Hoje, qualquer pessoa pode utilizar relógios ou anéis inteligentes para acompanhar seu sono, frequência cardíaca e recuperação, ter acesso a sauna, banheiras de gelo, camadas hiperbólicas, fisioterapia, preparação física adequada, médicos do esporte, médicos interativos, nutricionistas e por aí vai.

Mas existe uma diferença fundamental na utilização das tecnologias: dados não geram saúde sozinhos. É a interpretação dessas informações, associada ao conhecimento de profissionais qualificados, que permite transformar números em decisões mais inteligentes para a saúde geral e performance.

A verdadeira longevidade, seja no futebol ou na vida, não depende apenas de nascer com uma boa genética. Ela nasce da constância, da prevenção e da capacidade de ouvir o corpo antes que ele seja obrigado a gritar. Essas tecnologias estão ao alcance de quem quer se cuidar, treinar bem, comer bem, dormir bem, ter vitalidade e alcançar  longevidade, para ter sempre muita saúde e curtir a vida! Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil

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