OPINIÃO

Até quando?


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A impressão que se tem é que os governos de plantão não consideram os resultados  estatísticos de pesquisas, quando os números negativos não são de seus  interesses políticos  de curto prazo.

Quando os números do Banco Mundial apontam que nos últimos quarenta anos (de 1985 a 2025), a economia brasileira registrou um crescimento econômico médio anual de apenas 2,43%, com a população brasileira com um crescimento, médio anual, no mesmo período, próximo de 1,0 %, é para, enquanto governo, estudar minuciosamente que modelo  de desenvolvimento econômico aplicamos  e, de imediato, iniciar um processo corretivo para não só mitigar os gargalos de estrangulamentos ocorridos, como também a implementação de modelos que assegurem  ao país um crescimento econômico mais robusto e sustentável.

O modelo atual estimula o “consumo” e desestimula os “investimentos do setor privado”. O consumo não conduz o país a um multiplicador da atividade econômica, portanto, totalmente desancorado do que poderia ser o melhor para a sociedade brasileira e para o País. Os investimentos, ao contrário, estão ancorados na necessidade de um maior crescimento econômico e melhoria na distribuição da renda, com um ambiente adequado para a ocorrência de um multiplicador de desenvolvimento econômico.

É muito preocupante que a nossa dívida interna esteja em R$ 10,5 trilhões, já equivalente  a 81,0 % do PIB – Produto Interno Bruto de  R$ 13 trilhões. Soma-se a esse desequilíbrio que as receitas  tributárias registraram  um crescimento real, portanto, além da inflação via aumento de impostos, de quase 8,0 % mais o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, no primeiro quadrimestre, porém, as despesas do governo cresceram mais que 13,0 %, já registrando um déficit primário (sem contar os juros sobre a dívida), de R$ 45 bilhões, o que aumenta mais ainda a nossa dívida interna.

Para rolar parte da dívida que vence semanalmente e, na tentativa de alongar o perfil da dívida, o Tesouro Nacional lançou títulos com juros reais (acima da inflação) de cerca de 8,3 % ao ano, que são extremamente elevados e desancorados de um crescimento econômico para este ano projetado pelo FMI – Fundo Monetário Internacional, de apenas 1,9 %.

O Tesouro Nacional tenta ainda captar poupança externa para financiar a nossa dívida, lançando títulos na China, com remuneração em yuans.

Há um quadro que vai gradativamente se generalizando no país, de inadimplência dos agentes econômicos, a partir de grandes empresas; da indústria; do comércio; do agronegócio e, também de Estados da Federação, que não suportam pagar  os juros praticados pelo mercado financeiro. O baixo nível  de atividade econômica potencializa a iliquidez. As pessoas físicas, num total próximo de oitenta milhões de brasileiros, não conseguem pagar as suas dívidas.

É preciso uma mobilização da sociedade brasileira para acabar com o processo de reeleição  nos cargos executivos e a introdução do Sistema Parlamentarista. Como estamos, continuaremos mergulhados na mediocridade e no empobrecimento de empresas e famílias.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.

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