OPINIÃO

Foco na respiração!


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Respiramos entre 20 e 25 mil vezes diariamente. É o movimento mais repetido da nossa vida, no entanto, aprendemos sobre alimentação, atividade física e qualidade do sono, mas quase ninguém nos ensina a respirar.

Talvez por isso muitas pessoas convivam durante anos com um padrão respiratório
 inadequado sem perceber. Respiram rápido demais, pela boca, elevando os ombros e movimentando pouco o diafragma e a caixa torácica. O curioso é que esse padrão acaba sendo encarado como normal, quando na verdade pode influenciar muito mais do que imaginamos.

Respirar não serve apenas para captar oxigênio. A ciência mostra que a respiração
 exerce papel fundamental na regulação do sistema nervoso, na saúde cardiovascular, na postura, na qualidade do sono, na concentração, no controle emocional e até na percepção da dor.

O nosso corpo permanece constantemente em estado de alerta, em estresse contínuo.
 Como consequência, nossa respiração se torna mais curta, rápida e superficial e o cérebro interpreta esse padrão respiratório como um sinal de que ainda existe algum tipo de ameaça. É como se o organismo permanecesse preparado para reagir, mesmo quando estamos apenas sentados diante de uma tela.

Isso acontece porque a respiração mantém uma comunicação constante com o sistema
 nervoso autônomo, responsável por regular funções involuntárias como frequência cardíaca, pressão arterial, digestão e recuperação do organismo. Uma respiração acelerada tende a favorecer o estado de vigilância. Já uma respiração nasal, lenta, silenciosa e
 eficiente contribui para estimular mecanismos associados ao relaxamento e à recuperação.

Outro protagonista dessa história é o diafragma. Muito além de ser o principal músculo da respiração, o diafragma participa desde a estabilização da coluna, influencia a pressão dentro da cavidade abdominal, favorece o retorno venoso e linfático e mantém conexões importantes com o sistema fascial, uma grande rede de tecido conjuntivo que integra músculos, articulações e órgãos.

Quando respiramos curtinho, outras regiões do corpo frequentemente compensam esse movimento. Pescoço, ombros e região lombar passam a trabalhar além do necessário, favorecendo tensão muscular, alterações posturais e, em muitos casos, dores persistentes.

Outro detalhe: nós fomos projetados para respirar pelo nariz! Além de filtrar, aquecer e umidificar o ar, a respiração nasal favorece a produção de óxido nítrico, uma molécula que melhora a eficiência das trocas gasosas nos pulmões, auxilia na circulação sanguínea e contribui para os mecanismos naturais de defesa do organismo, um verdadeiro
 anti inflamatório natural.

Topa dedicar dois minutos à sua respiração? Faça o seguinte: inspire lentamente pelo nariz, percebendo as costelas se expandirem, como se a caixa torácica aumentasse de tamanho em todas as direções. Evite elevar os ombros. Em seguida, expire também pelo nariz, lentamente, permitindo que as costelas retornem o mais lento possível. Repita
 esse ciclo algumas vezes.

Agora, observe como seu corpo responde. Alguns percebem redução da tensão muscular,
 melhora da concentração e uma agradável sensação de calma. Não porque fizeram uma técnica milagrosa, mas porque ofereceram ao organismo a oportunidade de funcionar da maneira como foi biologicamente projetado. Respirar melhor não significa respirar mais. Significa respirar com eficiência.

Talvez esse seja um dos hábitos mais negligenciados da vida moderna. Prestamos atenção aos passos que damos, aos alimentos que consumimos e às horas que dormimos, mas esquecemos que o movimento mais importante do nosso corpo acontece milhares de vezes por dia. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil

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