Chegamos à estação mais fria do ano: o inverno. E, assim como cada estação nos oferece uma sensação e parece nos pedir um determinado comportamento, o inverno também tem as suas particularidades.
Nessa época, buscamos proteção. Procuramos ambientes fechados onde o vento gelado não nos alcance. E, nesse cenário, nenhum lugar se torna mais atrativo do que o conforto do nosso lar e uma coberta quentinha. Escolhemos roupas que nos cubram por completo e nos mantenham aquecidos. Até os alimentos que consumimos parecem carregar essa mesma intenção: trazer calor para dentro de nós.
É uma estação em que o ritmo desacelera. Os dias parecem mais curtos e o corpo naturalmente busca abrigo. Quem não gosta de se enrolar em cobertas, tomar algo quente e simplesmente permanecer em silêncio enquanto o frio lá fora insiste em bater à janela?
Definitivamente, o inverno não é tempo de exposição.
Existe uma sabedoria simples nisso: há momentos em que o mundo externo pede menos de nós e, ao mesmo tempo, nós também precisamos menos dele.
Assim como a natureza possui suas estações, também existem estações dentro de nós.
Nem sempre é tempo de acelerar. Nem sempre é tempo de se apresentar. Nem sempre é tempo de produzir.
E está tudo bem.
O desacelerar, o se recolher e até o não produzir fazem parte da vida e precisam ser encarados sem culpa.
O mundo nos cobra constantemente. Mas, muitas vezes, somos nós os nossos maiores cobradores. Não respeitamos nossos limites, nossos processos e nossas necessidades.
Há fases da vida em que o mais necessário é o recolhimento. Voltar-se para dentro. Silenciar os ruídos externos. Não se preocupar com aquilo que iremos produzir para os outros, nem com quem iremos impressionar. Apenas reencontrar a nós mesmos.
Esses períodos não são tempos de estagnação. São tempos de preparo.
São momentos de reconexão com a pessoa com quem passaremos toda a nossa vida: nós mesmos.
Talvez um dos nossos maiores erros seja acreditar que precisamos permanecer os mesmos em todas as estações, mesmo quando sabemos que já não somos.
Por isso, talvez, para muitos de nós, esta seja exatamente a estação necessária: o convite para se recolher sem culpa, reorganizar a vida por dentro, curar o que precisa ser curado e fortalecer o que sustenta quem somos.
Nem toda estação pede exposição. Algumas pedem resguardo.
Paula Passos é pedagoga, pós-graduada em Educação Parental e atualmente cursa MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas