OPINIÃO

Um exemplo de sustentabilidade


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Voltei na semana passada de uma viagem à Costa Rica, país pequeno, de 5 milhões de habitantes, na América Central, entre o Pacífico e o Mar do Caribe. Minha escolha, meio exótica, foi para conhecer de perto um país que tivesse  colocado em prática a sustentabilidade e se tornado um dos países mais ricos das Américas, preservando suas florestas, educando sua gente e remunerando seus agricultores por serviços ambientais.

O exemplo máximo desta sustentabilidade, para mim, foi a eliminação total da circulação de plásticos no país. No mercado,  eu e meu companheiro ficamos abismados quando, ao comprar e pagar por um saco para levar nossas compras, nos deram um saco de ráfia, reciclado, de café colombiano. Nos hotéis, os copinhos são de papel, assim como os canudos e todos os materiais servidos. Não há, em hipótese alguma, a circulação de plásticos naquele país.

Embora represente apenas cerca de 0,03% da superfície terrestre do planeta, a Costa Rica abriga aproximadamente 6% da biodiversidade mundial, com mais de 500 mil espécies catalogadas. A matriz elétrica costarriquenha é uma das mais limpas do mundo. Em 2025, 98,6% da eletricidade gerada no país veio de fontes renováveis

As pessoas são extremamente educadas. Obviamente, falam espanhol e inglês, porém, em um país tão dedicado ao turismo, também me chamou a atenção a pergunta. “O que eu e a Costa Rica podemos fazer por vocês, para melhorarem sua experiência?”. E isto era nos perguntado pelo garçom, pelo atendente do bar, pelos servidores comuns. Na Costa Rica, o ensino público e gratuito é a marca do país. E eles se gabam de as notas das escolas públicas serem muito maiores que o ensino privado.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Costa Rica foi estimado em cerca de US$ 96 bilhões em 2024, com PIB per capita próximo de US$ 17,5 mil, um dos mais elevados da América Latina. Em 2025, o país passou a ser classificado pelo Banco Mundial como uma economia de alta renda. Também não vi arranhas-céus gigantescos, nem essa riqueza bilionária brasileira que desafia qualquer lógica do mercado financeiro. Aquele povo não é tão desigual.

Os costarriquenhos, donos de um dos maiores salários mínimos da América, não trabalham mais em fazendas de café. Na tão famosa Starbucks (pensem muito antes de consumir seus produtos), uma carriola de café colhido, com 12 kg, é remunerada a US$ 2. Embora a empresa ofereça casa, energia e água para os 4 meses de colheita, somente trabalhadores do Panamá ou da vizinha Nicarágua trabalham ali. Para os costarriquenhos, esse valor é ínfimo.

Chamou minha atenção também a frota antiga pelas ruas e a pequena porcentagem de eletrificação de veículos. Os projetos do governo atual encaram exatamente isso, a aceleração da eletrificação do transporte público, além de ampliar a capacidade de armazenamento energético. Para atingir a neutralidade de carbono até 2050, o país quer 
ampliar a proteção de ecossistemas marinhos e costeiros e expandir o programa de pagamento por serviços ambientais, que remunera proprietários rurais pela conservação das florestas.

Simpatia e honestidade também contam muito. Ao trocar sua mochila no avião por de um americano, meu companheiro achou que nunca mais a encontraria, com notebook e cartões de crédito. Uma atendente muito solícita nos garantiu que a mochila tinha sido recolhida. E voltou, intacta. Eu só fiz uma pergunta: “E se fosse no Brasil?”

A gente só pode falar de sustentabilidade sob o pilar da Educação. Sem isso, não adianta ter fontes renováveis, energia eólica, veículo elétrico para um povo que mal sabe ler e quer golpear o turista na primeira barraquinha de pastel.

Que a Costa Rica seja um exemplo ao Brasil!

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ 

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