OPINIÃO

Instituto fez história


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A celebração dos oitenta anos da Escola Estadual Bispo “Dom Gabriel Paulino Bueno Couto” fez os jundiaienses mais experientes sentirem saudades enormes do Instituto de Educação Experimental de Jundiaí.

Foi uma escola paradigmática. Seus alunos não precisavam de “Cursinho” para ingressar na Politécnica, na FAU, na Faculdade de Medicina da USP e no ITA. Era um ensino esmerado e um aprendizado que premiava os mais atentos e sequiosos por seguir a carreira universitária, que não era tão prodigalizada na primeira metade do século passado.

Embora não privilegiado com o ensino de lá, pois fui aluno do Ginásio e depois Colégio Divino Salvador, sempre estive ligado ao Instituto, pois ali estudou minha irmã caçula, Jane Rute, hoje Juíza Diretora do Fórum de Jundiaí.

E mereci do educador Professor Nassib Cury um convite que me desvaneceu. Lecionar Sociologia para um Curso de Especialização para professores. Isso aconteceu em 1969 e, desde então, nunca mais deixei de conviver com educandos de diversos níveis. Tanto que já sou aposentado no Magistério e continuo a lecionar, agora com orientação dos Mestrandos e Doutorandos do Programa de Pós-Graduação da Universidade 9 de julho, a Uninove.

Os bons tempos do Instituto de então contavam com a presença permanente, atenciosa, eficiente e exitosa de Nassib Cury, um quadro de invulgar inteligência. Ao seu lado, a figura notável de Cláudia Maria de Lucca, depois Parise, que foi requisitada para ser Secretária da Educação em Itu, durante a interventoria do General João Paulo Rocha Fragoso, pai da Célia Fragoso, então amiga de Cláudia e ambas pertencendo à “juventude dourada” de Jundiaí.

Havia docentes exemplares, como Martha Burgos Pereira da Silva, Ely Marissael de Campos, Nancy Domingos Cury, que veio a se tornar sobrinha de Nassib, já que se casou com Fernando Barrios Cury, Iolanda Bastos, Paulo Vieira, Vicente Genovez e sua esposa Maria Tereza, Wilson Valverde, Hernani Gumerato, Esther Fraga de Novaes, e tantos outros mestres que formaram gerações e deixaram nome na História da Educação da Terra da Uva.

Lembrei-me, com carinho, do maestro Luiz Biela de Souza, cujos cantos embalaram a juventude da Terra da Uva. Além de compositor, ele mantinha um coral afinadíssimo e que era uma escola de convívio fraterno e harmônico. Compôs o hino do Instituto, cânticos especiais para cada solenidade e uma saudação a visitantes que todos os educandos conheciam e cantavam a cada vez que alguém de fora ingressasse na sala de aula.

Na solenidade realizada exatamente na data em que o IEEJ completou 80 anos, 11 de maio de 2026, agora sob a proteção do nosso primeiro Bispo, Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, tive a alegria de rever Eliana Boldrin, Aparecida e Antonio Luiz Gomes, as professoras Valdete e Vanessa, o Presidente da Câmara Edi Carlos, o Prefeito Gustavo Martinelli e o jovem Pedro Henrique, inventor de uma ferramenta para leitura de Libras e sua conversão alfabética. O encontro entre várias gerações é o testemunho de que uma escola de excelência muda o cenário de uma cidade e anima a gente, por comprovar que a educação é a chave de transformação de qualquer núcleo populacional.

Sugeri ao diretor Laércio a conclamação dos egressos, para que a história gloriosa do Instituto e do Bispo seja reescrita por pessoas que têm muito a contar sobre aquele espaço bem-aventurado.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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