DIS-SEN-SO é a falta de concordância sobre algo; divergência (eram amigos, apesar das d...). Conflito, desavença, oposição, discrepância.
CON-SEN-SO é a concordância, uniformidade de opiniões,BBom senso, senso comum, consensual.
Vivemos, circunstancialmente, num país (dividido), dito polarizado; sem confundir com um país politizado. Num país polarizado, não politizado, a existência de um debate, minimamente racional, está, por hora, impedido.
O consenso é o resultado de uma operação de dissenso. Sem dissenso não é possível falar em consenso. Essa premissa encontraria terreno fértil na perspectiva de um debate racional. E como foi decretado o fim da racionalidade...
“Sociedades florescem na diferença. Eu posso não concordar com aquilo que você diz, mas defenderei até o último instante o direito de você dizê-lo. Todos os seres humanos livres e iguais em dignidade e em direitos são dotados de razão e de consciência, devendo agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.
Do convívio familiar ao debate político, de escolas e universidades ao ambiente de trabalho, de espaços públicos a meios de comunicação, essas premissas básicas se constituem no instrumento poderoso da construção e manutenção do regime democrático.
"Na base do consenso está a necessidade de se cultivar a tolerância”, lembrar que o desafio de liberdade será sempre antes de tudo o de sua extensão ao outro, distinto de nós, que verdade é conceito fugidio, não apropriável por ninguém, e que a exposição à divergência, se por não raro causar desconforto ou indignação, é condição vital de crescimento individual e coletivo.
O cenário eleitoral, mesmo em períodos mais distantes, nunca foi o “lócus" em que a aproximação foi defendida.
Agora, em princípio nem pensar. O processo eleitoral vai ser terreno fértil para a afirmação do dissenso, não como pressuposto teórico que encaminhe para o consenso.
Como já disse nesse espaço, praticaremos o veto, não o voto, não será um exercício de escolha, mas sim o de rejeição.
Eu pergunto, quando veremos, por meio do processo eleitoral, uma discussão, um projeto político de Estado e não de Governo, sendo que num país tão desigual como o nosso será preciso atenção especial aos políticos que enganam o eleitorado usando vídeos, vozes e imagens falsas, além de promoverem fake News o tempo todo.
Da mesma forma que tentam enganar você e a mim, no dia a dia, na vida real, vão tentar nas eleições. Muito cuidado com a fraude e com o deepfake.
Como ocorre a fraude na vida real, é bom entender o caminho dos golpes para nos protegermos.
· Coleta de dados: Golpistas se aproveitam de vazamentos e usam dados encontrados nas redes sociais, além de fotos, vídeos e áudios públicos.
· Canais de abordagem: Vídeos com ofertas de investimentos e descontos nas redes sociais, mensagens com fotos e vozes clonadas e ligações telefônicas que simulam situações urgentes.
· Manipulação: Vídeos e vozes de pessoas conhecidas são gerados para convencer as pessoas da autenticidade das mensagens e sites são clonados para capturar dados pessoais.
· Prejuízo: As vítimas fazem transferências aos fraudadores pelo PIX, têm seus dados pessoais roubados e sofrem danos psicológicos e sociais.
Como nos proteger:
· Desconfie de ofertas boas demais.
· Verifique contatos suspeitos por outro canal.
· Não compartilhe dados pessoais.
· Ative em suas contas a verificação em duas etapas.
· Informe-se e avise as pessoas próximas.
Todo esse caminho poderá ser, sob outra roupagem, desenvolvido durante o processo eleitoral. Até porque o eleitor já vive rodeado de algoritmos.
Cada vez mais, as fraudes serão produzidas com a utilização de IA. Na vida real e nas eleições, elas já cresceram 126% em um ano no Brasil, de acordo com pesquisas realizadas, Tecnologia, sob supervisão humana, pode ajudar no combate aos golpes.
O processo eleitoral sempre vai se apresentar como ingênuo, amigo, meigo, vai explorar da boa-fé do eleitor, e por que nesta eleição seria diferente?
O eleitorado, por se dedicar tardiamente às eleições, por conta do tempo curto que dispensará para efetuar a sua escolha, na maioria das vezes, poderá se deixar levar pelos candidatos encantadores de serpentes. Lembre-se: o voto tem consequência.
Oswaldo Fernandes foi secretário de Educação em Jundiaí