Tosse persistente e febre são sintomas que podem passar despercebidos, pois são, de certa forma, genéricos quando o assunto é doença no sistema respiratório. Esses sintomas, porém, podem esconder uma doença perigosa: a tuberculose. Neste ano, a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) registrou 88 casos entre janeiro e maio. Foram 37 em Jundiaí, 19 em Várzea Paulista, 14 em Campo Limpo Paulista, seis em Cabreúva, seis também em Jarinu, quatro em Itupeva e dois em Louveira.
O número, no entanto, deve aumentar, pois, assim como gripe e covid-19, doenças respiratórias que aumentam a incidência no inverno, por exemplo, a tuberculose costuma atingir mais pessoas durante o tempo mais frio. É o que explica o pneumologista do Hospital São Vicente, Eduardo Leme.
“A tuberculose tem incidência aumentada no frio. Isso ocorre porque, nessa época do ano, as pessoas costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, mantendo portas e janelas fechadas. Como a tuberculose é uma doença que afeta as vias respiratórias e é transmitida pelo ar, o risco de contágio se torna maior nesses locais, especialmente quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala próximo a outras pessoas em espaços com pouca circulação de ar.”
Eduardo Leme também lembra que a qualidade do ar cai, o que afeta as vias respiratórias. “Durante os períodos de frio, tempo seco e maior concentração de poluição no ar, as mucosas das vias respiratórias tendem a ficar mais irritadas e vulneráveis. Essa condição pode facilitar a entrada de microrganismos, como a bactéria causadora da tuberculose e diversos vírus respiratórios”, diz ele sobre a bactéria bacilo de Koch.

No ano passado, a RMJ teve 280 casos de tuberculose, o maior número registrado na série histórica iniciada em 2015 do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria da Saúde de São Paulo. Foram 160 em Jundiaí, 42 em Várzea Paulista, 31 em Campo Limpo Paulista, 21 em Cabreúva, 12 em Itupeva, 10 em Jarinu e quatro casos em Louveira. Também no ano passado, quase 13% das pessoas diagnosticadas abandonaram o tratamento e 6,1% do total morreu em decorrência da doença na região.
Melhor evitar
O médico diz que “as medidas de prevenção são semelhantes às recomendadas para gripes e resfriados: evitar ambientes fechados e com pouca ventilação, cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência e utilizar máscara de proteção quando necessário. Também é importante destacar o papel da vacina BCG, aplicada ainda na infância. Embora ela não impeça a infecção pela tuberculose, contribui para reduzir o risco de formas graves da doença, aumentando as chances de um tratamento mais simples e eficaz”.
O tratamento da tuberculose deve ser seguido à risca. Muitas pessoas acabam abandonando o uso dos medicamentos quando os sintomas se abrandam e isso agrava a situação. “O tratamento da tuberculose deve ser iniciado assim que o diagnóstico é confirmado. Embora algumas pessoas apresentem sintomas leves, trata-se de uma doença que pode evoluir para complicações graves quando não tratada adequadamente. Além de causar danos importantes aos pulmões, a tuberculose pode atingir outros órgãos, provocar sangramentos pulmonares e, em casos mais graves, levar ao óbito. O diagnóstico é feito na UBS, assim como o tratamento, que tem duração de seis meses e envolve o uso de antibióticos”, explica Eduardo.
O tempo frio complica
O pneumologista lembra que “a tuberculose pode ser confundida com outras doenças respiratórias, como gripes, resfriados e viroses, já que muitas delas apresentam sintomas semelhantes, como tosse e febre”. No entanto, há diferenças. “A principal diferença é que gripes e resfriados costumam ser doenças agudas e autolimitadas, com melhora em poucos dias. Já a tuberculose, é uma doença crônica, com sintomas que persistem por semanas ou até meses. Um dos sinais de alerta mais importantes é a tosse persistente por mais de 15 dias. Além disso, podem ocorrer perda de peso, suor noturno, diminuição do apetite e cansaço intenso.”
Ainda assim, a melhor opção é procurar avaliação médica quando os sintomas aparecem. “Embora esses sintomas possam sugerir tuberculose, eles não são suficientes para confirmar o diagnóstico. Por isso, é fundamental procurar atendimento médico para uma avaliação adequada. O diagnóstico costuma ser simples e pode ser realizado por meio da análise do escarro e de outros exames disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).”