OPINIÃO

Feliz Dia dos Namorados


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Caro leitor, celebrar o Dia dos Namorados em meados dos anos 2020 virou um exercício de equilibrar expectativas e realidades. Em uma época em que as vitrines digitais ditam o ritmo das nossas vidas, o amor ganhou molduras impecáveis nas redes sociais. São jantares à luz de velas com filtros perfeitos, declarações textuais copiadas de alguma inteligência artificial e presentes que parecem mais desenhados para gerar curtidas do que para tocar o coração. Mas, afinal, onde mora o amor quando a tela se apaga?

A verdade é que o romance real é analógico, imperfeito e deliciosamente caótico. Ele não sobrevive de grandes produções anuais, mas da costura invisível dos dias comuns. Amar é o café passado no meio da tarde, a piada interna que ninguém mais entende, o silêncio confortável no banco de trás do carro e a certeza de ter para quem ligar quando o mundo lá fora parece desabar.

Em um cenário onde tudo é efêmero e os matches parecem infinitos na ponta dos dedos, escolher permanecer ao lado de alguém se tornou um ato de coragem. O amor contemporâneo exige maturidade para entender que o outro não é um espelho dos nossos desejos, nem um personagem de comercial de televisão. É uma pessoa real, com manias, dias ruins e uma bagagem própria. E a beleza está justamente aí: na decisão diária de caminhar junto, apesar das arestas.

Caro leitor, por isso, neste Dia dos Namorados, o convite mais revolucionário que podemos fazer é o da presença. Menos preocupação com o ângulo da foto e mais atenção ao brilho nos olhos de quem está do outro lado da mesa. Menos pressa para consumir e mais tempo para escutar.

E que a data não seja um peso para quem está só, nem uma obrigação comercial para quem está junto. Que seja, acima de tudo, um lembrete. Para os casados há anos, para os namorados de ontem, para os eternos apaixonados e até para quem está aprendendo a namorar a própria vida: o afeto é o único porto seguro que nos resta. No banquete da vida, o amor verdadeiro não precisa de plateia; ele se satisfaz com o sussurro cúmplice de quem encontrou, no meio de tanta gente, um lugar para chamar de lar. Pense nisso e feliz Dia dos Namorados!

Micéia Izidoro é psicopedagoga Clínica e Institucional, Neuropsicopedagoga Clínica e pós-graduada em ABA

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