O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) investigará uma empresa de Jundiaí após denúncia relacionada à indevida manutenção de instalações e maquinários do local. O problema da suposta omissão seria o tipo de substância de uma das linhas que estariam comprometidas: amônia anidra, gás tóxico para pessoas, que pode levar à morte. Sem a manutenção correta da planta em indústrias que usam ou produzem este gás, vazamentos podem ser fatais.
O Jornal de Jundiaí recebeu a denúncia há cerca de um mês e, desde então, vem acompanhando o caso. A empresa denunciada, a Air Liquide, foi procurada pelo JJ e informou adotar padrões de segurança de acordo com a legislação brasileira. A Coca-Cola Femsa, que é a principal cliente da Air Liquide em Jundiaí, também foi procurada e informou que iniciou a apuração do caso. Veja notas no fim da matéria.
De acordo com dossiê produzido por fonte anônima sobre o caso, haveria na empresa uma fraude documental para camuflar a falta de manutenção em dezenas de válvulas de segurança da linha de amônia anidra. Ainda de acordo com a fonte, as tubulações da linha estão corroídas e a máquina de drenagem de amônia (pump-out) da fábrica estava totalmente quebrada, por isso não acontecia a manutenção devida no local. Isso pararia a produção.


Com tubulações corroídas, técnicos de manutenção e segurança "apenas trocaram os lacres físicos e colaram etiquetas com datas falsas sobre os parafusos totalmente enferrujados". Apesar da denúncia formalizada, a fonte anônima demonstra preocupação com o caso: "A liberação descontrolada desse gás pode causar um desastre químico sem precedentes na região".
Procurada, a Air Liquide enviou uma nota de posicionamento ao Jornal de Jundiaí. Veja abaixo:
"A Air Liquide atua de acordo com os mais rigorosos padrões globais de segurança, qualidade e conformidade regulatória. A proteção de seus colaboradores, clientes e das comunidades onde atua é uma prioridade absoluta. A empresa opera em consonância com a legislação brasileira, promovendo um ambiente de trabalho ético, respeitoso e seguro."
A Coca-Cola Femsa também foi procurada e, em nota, informou:
"A Coca-Cola FEMSA Brasil tomou conhecimento dos relatos e iniciou imediatamente a apuração do caso, acionando a Air Liquide, empresa responsável pela operação e manutenção da unidade de fornecimento de insumos utilizados na produção de bebidas em sua fábrica em Jundiaí.
A companhia trata a segurança de seus colaboradores, parceiros e da comunidade com a máxima seriedade e acompanha o assunto com atenção."