OPINIÃO

Hoje, pé frio não tem vez


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Hoje tem jogo da seleção brasileira. É a estreia do Brasil na Copa do Mundo. O adversário é o Marrocos, às 19h, em Nova Jersey. É dia de reunir a família, os amigos. De roer as unhas, reclamar do juiz. E, quando a bola balançar o barbante, soltar o grito de “gol” bem alto, para que ninguém tenha dúvida de que é gol do Brasil, e que o hexa, dessa vez, é nosso.

Eu não sou supersticioso, mas como dizem os espanhóis: “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”. Dito isso, melhor deixar de fora desta festa o pé frio. Sabe aquele sujeito que parece carregar uma maré de falta de sorte? Ele senta para assistir ao jogo e o time leva gol. Dá palpite e acontece exatamente o contrário. Todo mundo conhece alguém assim.

O problema é que o pé frio não é apenas um folclore do futebol. Na política, às vezes aparece alguém que provoca a mesma sensação. Não porque tenha azar, talvez a palavra correta seja outra. Mas o fato é que tudo o que faz, acaba piorando a vida das pessoas, ao invés de melhorar. É uma espécie de toque de Midas às avessas, para a nossa desgraça cotidiana.

Se for para dar um exemplo de pé frio na política, o governador Tarcísio de Freitas veste a carapuça. Ele vendeu a Sabesp com a promessa de que isso seria um grande negócio para São Paulo. Mas o que entregou foi o oposto: as contas subiram, os acidentes aumentaram e começou a faltar água até em lugares que não sofriam com esse tipo de problema.

E não para por aí. Afinal, a consistência é uma característica do pé frio. Tarcísio cortou em mais de R$ 10 bilhões do orçamento da Educação. Resultado: algumas escolas estão caindo aos pedaços e a qualidade do ensino desceu ladeira abaixo. Hoje, São Paulo tem os piores resultados em anos do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, atrás de estados como Ceará, Paraná, Goiás, Espírito Santo e Piauí.

Quem precisa do trem, vive um pesadelo sem fim. O governo vendeu a linha-7 Rubi, acabou com o Serviço 710, que permitia uma viagem direta, sem baldeações, entre Jundiaí e Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, passando por São Paulo e pelas principais linhas de metrô. Era uma mão na roda. Agora, para fazer o mesmo trajeto é preciso desembarcar na sempre lotada Barra Funda.

E a segurança? Você se sente tranquilo para andar pela rua mexendo no celular sem se preocupar com o risco de ser assaltado? Se a resposta for negativa, coloca na conta do Tarcísio.

Quando a gente leva a brincadeira do pé frio para a política, ela perde a graça. No futebol, a falta de sorte dura noventa minutos. Na vida real, o efeito é prolongado e quem paga a conta são milhões de pessoas que dependem dos serviços públicos para estudar, trabalhar, se locomover e viver com dignidade.

Nesse desgoverno, o pé frio não está relacionado à falta de sorte, mas sim ao resultado previsível de escolhas equivocadas, prioridades erradas e à incapacidade de entregar aquilo que promete. Mas só por garantia, Tarcísio, hoje, enquanto o Brasil estiver em campo, tenta ficar longe da TV.

Deputado Maurici é deputado estadual e primeiro secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo.

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