OPINIÃO

Jundiaí: cidade do futuro?


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O que é uma cidade do futuro? Aquela que está pronta para o enfrentamento dos desafios já postos no horizonte. A agenda urbana é a mais importante da Federação Brasileira. A República Federativa do Brasil já foi chamada de “Federação Assimétrica”, porque todo o poder se concentra na União. Pouco resta aos estados-membros e aos municípios.

Por outro lado, a população brasileira se urbanizou. Fenômenos como o da Região Metropolitana de São Paulo, extensa e densa conurbação com cerca de 22 milhões de pessoas, tendem a se repetir em Campinas, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e outros grandes conglomerados.

Projetar a cidade do futuro não é obrigação exclusiva da prefeitura. É óbvio que, por deter atribuições de relevância, o Poder Público Municipal tenha de liderar esse processo. Mas se negligenciar, é a sociedade civil que tem de assumir as rédeas do ordenamento. Pois não se pode esquecer que, pela Constituição da República, “todo o poder emana do povo”. Qualquer agente de autoridade, qualquer governante, em qualquer esfera, é um servidor. Servidor qualificado, sim, ou escolhido pelos demais cidadãos, ou aprovado em concurso público. Mas a serviço do povo, que merece respeito.

Precisamos levar a sério a sustentabilidade e a resiliência. Sustentabilidade é um conceito universal, produzido por um conjunto de cientistas, dentre os quais o brasileiro de São Paulo, justificadamente chamado Paulo Nogueira Neto. Ele sintetizava o princípio contido no Relatório Bruntdland como: “sabendo usar, não vai faltar”. E a resiliência é a capacidade de resistir e de se adaptar, a despeito da adversidade em pleno curso.

Como dizia André Franco Montoro, Professor de Introdução à Ciência do Direito da PUC-SP, as pessoas não nascem na União, nem no Estado. Nascem na cidade. E é nela que se concentram as almas, os serviços, o consumo, o trabalho e as relações que moldam nosso cotidiano. Todos os problemas contemporâneos dizem respeito à cidade.

Uma plataforma de ação para planejar e executar o futuro das cidades passa por três verbos principais: inspirar, construir, conectar. A cidade do futuro é um espaço no qual as lideranças apresentam soluções, compartilham aprendizados e consolidam seu posicionamento na agenda urbana. Mais do que debater, é preciso estimular a construção de projetos, incentivar o estudante a contribuir para a melhoria da qualidade de vida, resolver soluções e enfrentar desafios para atuações que gerem impacto no território e na vida. Conectar: procurar soluções que deram certo em outros lugares. Investir na criatividade e no empreendedorismo. Usar das redes sociais para construir plataformas estratégicas de articulação, posicionamento e edificação de soluções locais.

As cidades têm de promover encontros para a população local se inteirar dos planos, dos projetos, palpitar e dar contribuições. Iniciativas impostas de cima para baixo nem sempre dão certo, porque não são aceitas pela comunidade. É urgente propiciar encontros estratégicos, com o chamamento a todas as pessoas de boa vontade, para que governo, empresas, investidores e lideranças possam conversar, fazer workshops e estabelecer parcerias.

Convidar urbanistas, sociólogos, pensadores, filósofos, educadores de outras plagas, para trazerem sua contribuição na elaboração de um Plano Estratégico de Construção da Cidade do Futuro. Há muitas trilhas a serem percorridas para se chegar ao ideal: mobilidade e logística, cidades sustentáveis, água e resiliência, energia, clima e transição urbana, tecnologia, dados e inovação para cidades, financiamento, seguros e investimento urbano. E mais: requalificação de bairros, consumo consciente, circularidade e cadeias sustentáveis, alimentação, saúde e bem-estar urbano, cultura, hospitalidade.

Não nos furtemos a contribuir. Faça chegar às autoridades locais o seu sonho sobre a Jundiaí que você quer daqui a alguns ou daqui a muitos anos.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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