OPINIÃO

A indústria entra em campo


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A abertura da maior Copa do Mundo de todos os tempos, dia 11 de junho, desperta a atenção e a emoção de bilhões de pessoas em todo o planeta, num torneio que mistura paixão, identidade, alegria, rivalidade e patriotismo. Torcendo muito pela conquista do hexa pelo Brasil, acho importante lembrar que a indústria também estará presente em todos os estádios do México, Canadá e Estados Unidos, ao lado das seleções e dos jogadores dos 48 países participantes.

A bola que rola no gramado, fertilizado por adubos industriais e aparado por máquinas produzidas no chão de fábrica, é resultado de engenharia avançada, testes aerodinâmicos e materiais de alta performance. Os uniformes das equipes, leves e respiráveis, incorporam tecnologia têxtil de última geração. Nos bastidores, os departamentos de fisioterapia e preparação física operam com aparelhos sofisticados, desenvolvidos para extrair o máximo desempenho dos atletas e reduzir riscos de lesão. O apito do árbitro, os sistemas de comunicação, os placares eletrônicos e o VAR, com sua complexa rede de câmeras, sensores e softwares, os drones, os equipamentos da TV e do rádio são todos frutos da produção em fábricas de distintos segmentos.

O futebol, esporte com o maior número de aficionados, também é uma grande vitrine da indústria, que, indispensável e muito presente, joga diariamente no campo da sociedade e das famílias: as roupas de cama e pessoais, o chuveiro, a máquina e as cápsulas de café, o transporte público ou privado, os computadores e celulares, os equipamentos nas escolas, os sistemas das instituições financeiras, os aparelhos hospitalares e clínicos...

Tal onipresença explica por que a indústria sempre foi um dos pilares do desenvolvimento econômico e social. Ela amplia o conforto e a qualidade da vida e sustenta cadeias produtivas complexas, que geram empregos em grande volume, qualificados e mais bem remunerados do que na média de outros setores. Em um país populoso e grande como o Brasil, isso significa múltiplas oportunidades e inclusão social em larga escala.

Há, ainda, um aspecto cada vez mais relevante. Refiro-me ao compromisso com a agenda climática. A indústria vem se afirmando como parte essencial da solução. Inovação em eficiência energética, economia circular, novos materiais e processos produtivos mais limpos estão redesenhando o setor. A mesma capacidade tecnológica que produz a bola da Copa da Fifa é a que viabiliza a transição para uma economia de baixo carbono.

O futebol emociona porque traduz, em noventa minutos, valores como esforço coletivo, estratégia e superação. A indústria faz algo semelhante todos os dias. Embora sem arquibancadas ou transmissão ao vivo, joga sem estrelismo para os mais de oito bilhões de habitantes da Terra. Ela organiza cadeias globais, transforma conhecimento em produto, gera valor e dá suporte ao bom funcionamento da sociedade.

Por isso, do mesmo modo que pedimos aos nossos jogadores que tratem bem da bola nesta Copa do Mundo, temos nos mobilizado com muito empenho perante o poder público, no âmbito das entidades representativas do setor, com o propósito de promover políticas de Estado duradouras, e não de governo, e ações concretas para o seu fomento. Afinal, uma indústria forte, inovadora e próspera é decisiva para que os 213 milhões de brasileiros, muito além de torcedores, sejam protagonistas no competitivo torneio global da cidadania e do desenvolvimento socioeconômico.

Rafael Cervone é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

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