OPINIÃO

Onde mora Deus?


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Na semana passada e nesta, me vieram, inúmeras vezes, a resposta para: “Onde mora Deus?”

Semana passada, foi ao encontro do Amado, na Eternidade, a Irmã Celina do Imaculado Coração de Maria, no mundo, Érica Cristina Balzanelli, Monja no Carmelo São José. Doeu-me. Bastavam o sorriso e o acolhimento dela para sentirmos o quanto Deus habitava em sua vida e buscava e busca a nossa.

Uma pessoa, em meio a tombos e reerguimentos, me escreveu após as exéquias: “As Irmãs do Carmelo são muito boas comigo. (...) Eu estava num precipício e todas seguraram minha mão para eu não cair. (...) As Irmãs contaram que a partida dela foi inesperada, que começou aparentemente como uma simples gripe e piorou. Chegando ao hospital foi diagnosticada com pneumonia e pegou uma bactéria hospitalar. Poxa vida, por que as coisas da vida são misteriosas? Eu, por exemplo, passei (às vezes ainda passo nas recaídas) tantas noites no sereno, bebendo coisas geladas, usando drogas, fumando cigarros, embriagando meu pobre corpo e envenenando meu organismo, nunca peguei uma gripe forte, sendo tão pecadora.

Aí acho até injusto quando uma mulher que dedicou sua vida à contemplação e aos cuidados de uma vida sem excessos, sem vícios e sem paixões, morre tão cedo! Mas o Bispo disse que é um privilégio quando a pessoa é chamada para ir se encontrar com o Pai, principalmente quando se sabe que teve uma vida contemplativa, longe do pecado. Então fico pensando que Deus está tendo muita compaixão de mim e está me dando um tempo de vida a mais, para ver se eu mudo meu rumo e saio dos pecados. Penso que é para morrer em paz, com a consciência tranquila das coisas de Deus”.

Muito forte esse depoimento, provocado em resposta a uma vida que foi sinal da morada de Deus. O mesmo Deus que mora nela e deseja salvá-la. Sua sinceridade me questiona.

Recordei-me “Das Instruções de São Doroteu, abade”, na Semana IX do Tempo Comum: “... Esta é a verdade, por mais virtudes que tenha um homem, ainda que sejam inumeráveis e infinitas, e se afasta deste caminho – acusar-se a si mesmo -, nunca encontrará a paz, mas ao contrário, andará aflito ou afligirá os outros, e perderá o mérito de todos os seus trabalhos. (...) Porque a alma, quanto mais avança na perfeição, tanto mais forte e poderosa se torna para suportar as mais duras dificuldades que possam sobrevir”.

O Senhor me favoreceu com a Sua graça, indicando-me, através da direção espiritual profunda e paciente do Padre Márcio Felipe de Souza Alves e suas reflexões, onde Ele se encontra.

Domingo passado, em sua homilia, a respeito da I leitura (Êxodo 34, 4-6, 8-9), Padre Márcio Felipe comentou sobre Moisés cumprir a vontade de Deus, subindo à noite ao monte Sinai, sem temores, por confiar n’Aquele que o chamara.

E prosseguiu que o Senhor também nos chama e, inúmeras vezes, ficamos imóveis ou retornamos, porque o caminho é desagradável, é o caminho da Cruz. Nele, se estivermos atentos, perceberemos os sinais do Senhor, que veio morar dentre nós, dá paz ao coração e segue conosco com o propósito de nos levar à Eternidade.

Onde mora Deus? Com você e comigo.

“Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. Sede bendito, nome santo e glorioso!” (Dn 3).

Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista

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