METEOROLOGIA

El Niño neste ano: saiba o que significa e impactos em Jundiaí

Por Redação |
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Divulgação / Prefeitura de Jundiaí
O fenômeno que acontece de tempos em tempos afeta o clima de todo o mundo e levanta alertas no Brasil sobre os riscos de chuvas e secas em diferentes regiões
O fenômeno que acontece de tempos em tempos afeta o clima de todo o mundo e levanta alertas no Brasil sobre os riscos de chuvas e secas em diferentes regiões

Entre 2023 e 2024, o Brasil teve algumas tragédias ambientais expressivas. Entre abril e maio de 2024, o Estado do Rio Grande do Sul recebeu acumulados expressivos de chuva que resultaram em uma das maiores tragédias relacionadas ao clima no Brasil. Também entre 2023 e 2024, com uma estiagem histórica no Norte do país, os níveis de rios como o Negro e o Solimões atingiram as cotas mais baixas em mais de 120 anos de medições. Esses episódios têm um fenômeno em comum: a ocorrência do El Niño.

O El Niño é um fenômeno que surge quando há enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de leste para oeste) no Oceano Pacífico Equatorial. Isso faz com que as águas superficiais do oceano fiquem anormalmente quentes, pelo menos 0,5°C acima da média, e alterem os padrões de chuva e temperatura em todo o mundo. Essa elevação da temperatura precisa ser persistente, durar, no mínimo, seis meses. Para este ano, é esperado um “Super El Niño”, que deve começar já nas próximas semanas.

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O que esperar em Jundiaí?

Durante o El Niño, que aconteceu entre 2023 e 2024, o maior impacto observado em Jundiaí foi a elevação da temperatura. Para este ano, também é esperado o aumento de chuvas no Sul e a seca persistente no Norte e Nordeste. Jundiaí, no entanto, assim como o Estado de São Paulo de forma geral, está em um “meio termo”.

Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Suellen Araujo, diz que o El Niño deve atingir o auge no fim do ano. “Agora tem a pressão para que o fenômeno ocorra neste ano, com intensidade pelo menos moderada, podendo ser forte. O início deve acontecer nas próximas semanas e o auge previsto é para o fim do ano. No Centro-sul, acontecem as precipitações mais volumosas. Em São Paulo, pode acontecer alta de temperaturas com o fenômeno, calor e também mais chuvas, de modo geral, em um panorama genérico”, explica.

A profissional também diz que, apesar de começar nas próximas semanas, os efeitos demoram um pouco para chegar ao continente. “Os efeitos são mais progressivos. Ainda estamos na fase neutra do fenômeno e os efeitos são gradativos. O El Niño acontece em uma escala bastante grande, diferentemente da passagem de uma frente fria, que acontece mais rápido. Tanto que o efeito do aquecimento das águas equatoriais do oceano Pacífico tem um delay. No continente, só é possível sentir semanas depois”, diz ela.

Procurada para falar sobre medidas preventivas, a Defesa Civil de Jundiaí informa que, até o momento, não recebeu nenhum comunicado oficial de alerta por parte dos órgãos competentes. No entanto, caso haja necessidade, o Núcleo de Gerenciamento de Emergências do Estado de São Paulo deverá encaminhar aos municípios as informações e orientações necessárias, seja na forma de alerta preventivo ou comunicado oficial

Estado em estado de alerta

Em São Paulo, a Defesa Civil está montando um aparato para controle de ocorrências causadas pelo El Niño, principalmente queimadas. Denominada Muralha do Fogo, a iniciativa foi anunciada nesta terça-feira (2). Um painel de dados integrado com uso de inteligência artificial (IA), sistemas de câmeras, monitoramento por satélites e uma parceria com Waze fazem parte da estratégia adotada para enfrentar a época em que cresce o número de focos de incêndio em todo o estado, e a chegada do El Niño, sistema climático que promete elevar a temperatura em todo o país.

O sistema contará com as imagens das milhares de câmeras do Muralha Paulista espalhadas pelo estado para detecção de focos de incêndio, acrescidas dos sistemas de monitoramento em rodovias das concessionárias e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A parceria com o aplicativo Waze disponibilizará um novo ícone, onde os motoristas poderão notificar focos de incêndios ativos e ajudar no monitoramento nas estradas.

O plano de contingência do Governo de São Paulo para enfrentar o período de queimadas envolve neste ano 613 municípios, 55% a mais do que em 2024, e mais de 3 mil agentes, além de novas viaturas e equipamentos para combate ao fogo. A Defesa Civil promoveu 16 treinamentos presenciais em todas as regiões do estado. Em 2026, a Fundação Florestal também ampliará o uso de inteligência artificial, sensoriamento remoto e ferramentas de ciência de dados para monitoramento de incêndios em 24 unidades de conservação consideradas de alto risco para ocorrência de incêndios florestais no estado.

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