OPINIÃO

No colo da mãe


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Fomos a Aparecida – Rosemary Ormenesi, Adriana Valente e eu – na semana passada. Cada uma com sua história, seus sonhos, seus desencantos e encantos. Passamos algumas horas com o coração em Deus, embaladas no colo da mãe. Que viagem abençoada. Amo estar lá.

Pela primeira vez, visitamos o museu, a cúpula e o mirante.

No Museu, chamou-me a atenção o número de imagens diferenciadas de Sant’Ana com Nossa Senhora menina. Lembrei-me muito de nossa mãe que era bastante devota de Sant’Ana. Dizia que aquilo que a mãe pede, a filha atende. Pela quantia de imagens a respeito, creio que era uma devoção forte no século passado ou talvez daquela região. Mamãe era de 1924.

Em um dos painéis com explicação sobre a pintura do interior do Santuário, a abertura com uma frase célebre do escritor, filósofo e jornalista Dostoiésvki (1821-1881): “A Beleza Salvará o Mundo”. E a explicação logo em seguida: “A Cúpula Central é a coroação do Espaço Sagrado. É a celebração da Vida que pulsa na beleza e no brilho da luz! Entre o predomínio do dourado e os destaques coloridos dos pássaros e das folhas da grande Árvore, encontramos também a cor branca, onde podemos repousar o olhar e contemplar em paz a alegria que se configura. É o Céu, é o Alto, é o Paraíso onde Deus eternamente brilha. Nos galhos da Árvore procuramos abrigo. Na Igreja procuramos acolhimento e introspecção. Somos os pássaros, somos os peregrinos em busca de luz. E somos também a Igreja, onde dentro de nós reluz a centelha divina”.

Na Nave Norte, sobre a Porta Santa, há um painel em azulejos cujo centro é o Cristo que se apresenta ladeado por 71 mulheres que se destacaram na vida da Igreja, desde Maria Madalena, Joana d’Arc, Teresa d’Ávila até a Irmã Doroty Stang.

Para Cláudio Pastro (1948-2016), responsável pela concepção artística do revestimento da Basílica Nacional de Aparecida, a imagem é o lugar da manifestação do Mistério, onde a essencialidade se traduz em unidade e harmonia. Para ele, a imagem é o lugar da presença do invisível, é através dela que o Sagrado se revela.

No painel sudeste, o Anjo tem características caboclas, mestiça, como é a maioria do povo brasileiro; com chapéu de palha e um berrante, traz o ‘sofhar’ (trombeta feita de chifre de boi). A região sul é representada por meio do bioma da Mata Atlântica e do Pampa. Apresenta espécies vegetais significativas da flora da região, como a araucária e manacá-da-serra. E da fauna encontramos imagens de jacutingas, grou-coroado, entre outras aves.

No painel nordeste, o Anjo possui características de nossas matrizes europeias.

No painel Noroeste o Anjo tem características negras, referenciando a matriz africana que constitui nossa nação. É o Anjo do dom da Alegria e tem nas mãos um pandeiro. Impossível comentar as maravilhas todas. Mais do que ver é a experiência da fé que jorra dentro de nós.

Uma experiência única estar na Basílica com pinturas que dialogam sobre humanidade e a história da salvação.

É a Mãe carinhosa que recebe os filhos todos seus e nos ensina a dizer Sim ao Amor.

“Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus!”

Cubra-nos com seu manto de coragem, salvação e vida nova!

Maria Cristina Castilho de Andrade, Professora e cronista

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