O número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho em Jundiaí registrou aumento de 14,5% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Foram 1.274 ocorrências entre janeiro e março deste ano, contra 1.113 no mesmo período de 2025. Os casos incluem desde acidentes de baixa gravidade até situações mais severas, como exposições biológicas, intoxicações e ocorrências no trajeto entre casa e trabalho. Vale destacar que abril é conhecido como Abril Verde e visa conscientizar sobre a saúde e a segurança no trabalho, com o objetivo de reduzir acidentes e doenças ocupacionais.
Para especialistas, o crescimento está diretamente ligado a múltiplos fatores. De acordo com Sandoval Silva, coordenador do Departamento de Higiene e Segurança do Trabalho do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em Jundiaí (Ciesp), o cenário reflete tanto o aquecimento econômico quanto as falhas na prevenção. “Existe o aumento da atividade econômica e, consequentemente, do número de trabalhadores em atividade, mas também um descompasso entre o risco e a percepção dele. Às vezes é desatenção do trabalhador ou falha da empresa em adotar práticas seguras. É sempre uma via de mão dupla”, afirma.

Sandoval diz que descompasso entre risco e percepção do risco é um dos fatores de acidentes
Sandoval destaca ainda que muitos acidentes poderiam ser evitados com medidas básicas, como a análise preliminar de risco antes da execução de tarefas. A autoconfiança excessiva de alguns trabalhadores também pode contribuir para a exposição a riscos. “Quando o planejamento é feito com metodologia, envolvendo trabalhador, liderança e profissional de segurança, a chance de acidente cai drasticamente. O problema é que nem sempre isso é aplicado corretamente”, explica.
No setor industrial, empresas que investem em cultura de segurança apresentam melhores resultados. Giany Andrade de Siqueira, supervisora de Meio Ambiente, Saúde, Segurança do Trabalho e Qualidade de uma indústria química em Jundiaí, afirma que a empresa fortalece a cultura da segurança e orienta periodicamente os trabalhadores, mas destaca o protagonismo dos funcionários na hora de fazer escolhas conscientes. “Aqui, todos se sentem responsáveis por cuidar de si e do outro. A empresa mantém equipes multidisciplinares, promove análises constantes de risco e incentiva os funcionários a reportarem situações inseguras”, reforça.
Entre as boas práticas, Giany também destaca protocolos que rodam o mundo. “Se houver um acidente em alguma planta de qualquer lugar do mundo, todas as unidades recebem um relatório com as melhores práticas, o que ocasionou o acidente e as lições aprendidas, pois assim conseguimos trabalhar de forma preventiva”, revela.

Giany ressalta protocolos rígidos para evitar acidentes em indústria que trabalha
Do lado do poder público, a Prefeitura de Jundiaí informa que atua na prevenção por meio do Cerest, com ações de vigilância epidemiológica e inspeções em ambientes de trabalho. O órgão também trabalha em conjunto com unidades de saúde, sindicatos e empresas para mapear riscos e orientar melhorias. A proposta é atuar não apenas após os acidentes, mas principalmente na prevenção, promovendo ambientes mais seguros.
O Cerest é um órgão vinculado à Prefeitura de Jundiaí e atua na promoção da saúde dos trabalhadores por meio de ações de educação, vigilância e assistência especializada. O órgão analisa notificações de acidentes e doenças, realiza investigações e orienta a rede de saúde. Também promove vistorias em ambientes de trabalho com base em denúncias e dados epidemiológicos. Além disso, oferece apoio técnico a municípios da região.