A confirmação da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República pelo PSD mexeu no cenário eleitoral deste ano e repercutiu entre lideranças partidárias em Jundiaí. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, nesta semana e Caiado vira a aposta da chamada “terceira via” para enfrentar nomes como Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Dentro do próprio PSD, a definição veio após disputa interna com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que havia colocado seu nome à disposição. O governador do Paraná, Ratinho Jr., também chegou a ser cogitado, mas desistiu do pleito.
Em Jundiaí, o presidente local do PSD, Ricardo Benassi, avaliou positivamente a escolha. “Existe um desejo no Brasil por mais equilíbrio, menos polarização e união para um país mais forte. Desejo ao Caiado que ele seja realmente esse líder e que possamos juntos transformar nosso país”, afirmou.
Já o presidente regional do PL e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Adilson Rosa, minimizou o impacto da entrada de Caiado e reforçou a estratégia do partido. “A estratégia do Flávio não precisa mudar radicalmente, mas sim se fortalecer. Com a saída do Ratinho Jr. e a entrada do Caiado, o cenário fica mais claro: a direita está se organizando”, declarou. Segundo ele, “Flávio segue como o nome com maior capilaridade nacional”, ressaltando diferenças de perfil entre os pré-candidatos, mas também pontos em comum, como a defesa de pautas conservadoras.
Pelo PT, a avaliação foi crítica. A presidente local do partido, Rosaura Almeida, afirmou que a movimentação evidencia fragilidade do PSD. “Salvo melhor juízo, a maior repercussão da troca de candidatos no PSD é a fragilidade do próprio PSD. Considerado o grande vitorioso das eleições municipais, não apresenta um candidato viável para presidente”, disse. Ela também minimizou o alcance eleitoral de Caiado, apontando sua atuação mais restrita à base ruralista.
Rosaura ainda projetou a manutenção da polarização nacional. “A eleição presidencial deve permanecer polarizada como em 2022, entre um Bolsonaro e Lula”, afirmou, defendendo o legado do atual governo federal. Ela também mencionou disputas estaduais, citando conflitos envolvendo Tarcísio de Freitas e o crescimento de Fernando Haddad nas pesquisas.