A Quaresma é uma grande oportunidade de sentir os porquês do ser humano e a oportunidade de Deus, em meio às nossas trevas, de encontrarmos a luz que não se apaga. A Quaresma também revela as minhas penúrias e me fala de conversão.
Na Missa de Ramos, o Padre Márcio Felipe de Souza Alves, Reitor e Pároco do Santuário Diocesano Santa Rita de Cássia, comentou que estávamos à porta de Jerusalém.
Do prefácio do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, ele proclamou: “Inocente, dignou-se sofrer pelos pecadores; Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos...”
Veio-me a Missa de Cinzas e as Missas das cinco semanas, presididas pelo Padre Márcio Felipe, e aquilo que suas homilias me propuseram de mudança no coração e na alma.
Nas tentações, o demônio levou Jesus a dois pontos altos: o do templo e o de um monte, nos quais Lhe ofereceu poder e glória, mas Ele escolheu o alto da Cruz.
Na Celebração da Transfiguração, prenúncio da ressurreição para tentar não escandalizar os apóstolos com a Sua morte na cruz, afirmou que tudo o que se refere a Deus contém cruz, todo coração cristianizado está abraçado à cruz e segue atrás do Senhor. Não somos da prosperidade em bens materiais, mas de crescimento para a intimidade com Deus.
No encontro de Jesus com a Samaritana, o sinal de que Ele sempre queria se encontrar com as pessoas e não fazia perguntas constrangedoras. Apesar do cansaço, estando com sede, Ele transmitiu vida nova a ela. Jesus nos mostra algo extraordinário: segue conosco, mesmo que não mereçamos, e sem interrogatórios.
Na cura do cego, comentou que ninguém recupera o que não tem. O cego cumpriu o que lhe disse o Senhor, a respeito de se lavar na piscina de Siloé, e conseguiu o que não possuía: a visão. Jesus vem ao encontro daqueles que carregam um coração ferido pelas circunstâncias de sua história.
Sobre a morte de Lázaro, Jesus chorou. Duas coisas se destacam, assim como Ele se emocionou diante da morte de Lázaro, impossível ser Seu discípulo sem se comover. E o tempo é de Deus. A ressurreição de Lázaro se deu na hora do Senhor. Solicitou que o desatassem e o deixassem andar. Enfatizou, o Pe. Márcio Felipe, que aquele, que é da cruz e da ressurreição, é livre.
Na Missa de Ramos, destacou que nesta semana estava o caminho doloroso do sofrimento. Jesus fez a vontade do Pai, assumindo o caminho da Cruz. Ele entra, em Jerusalém, como rei sim, mas um rei diferente, um rei que escolhe como trono o madeiro da cruz. O reinado que Jesus nos oferece é a Sua própria vida. Sua coroa foi de espinhos. Mesmo sabendo da rejeição e da cruz, Ele não volta atrás e nos ama até o fim.
Padre Márcio Felipe perguntou qual seria a nossa escolha no Domingo de Ramos: Queremos apenas aclamar Jesus ou queremos segui-Lo? Queremos apenas momentos de emoção? Ou uma fé fiel até a cruz?
Neste tempo, o Senhor desmascarou minhas vanglórias, minhas razões pessoais, mostrou-me como escolher o Calvário, convidou-me a vê-Lo, comovida, principalmente nos que possuem o coração machucado e a ser mansa e humilde de coração. Não é fácil, mas quero ser fiel até a Cruz.
Gratidão, Padre Márcio Felipe, que hoje aniversaria, por ser tão de Deus e nos oferecer as sendas do Céu.
Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista