OPINIÃO

Mais que floresta, a Serra do Japi é estratégica


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O pulsar da vida na riqueza da biodiversidade da fauna e da flora, na rede de nascentes e cursos d’água cristalinos, na exceção de sua formação geológica – de quartzito – do solo improvável cresce a floresta. A Serra do Japi é uma ilha, cercada por grandes centros urbanos como Campinas e São Paulo. Ela atua como um filtro climático que minimiza a expansão da poluição atmosférica e regula o microclima local.

O cientista, geógrafo e ambientalista Prof. Aziz Ab'Saber foi o principal articulador intelectual do tombamento da Serra do Japi pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), que neste mês de março completou 43 anos.

Baseado em seus estudos, o tombamento estabeleceu duas zonas distintas, uma área de preservação, de proteção máxima e uso extremamente restrito e outra de conservação que admite uso, mas com controle. O cientista reconheceu as ocupações pré-existentes, como Varginha, Paiol Velho, Santa Clara, justificando a existência da área de conservação. A Serra tornou-se referência em biodiversidade e proteção ambiental.

O Prof. Ab'Saber classificava a Serra como uma "área crítica e ecologicamente estratégica". Segundo ele, “a manutenção da vegetação nativa era vital para garantir a qualidade de vida e o fornecimento de água para Jundiaí e região.” 
Em 29 de dezembro de 2004 foi criada a Lei Complementar nº 417, que estabeleceu normas rígidas de uso e ocupação do solo, além de criar o Conselho de Gestão da Serra do Japi, que recebeu uma atualização com a Lei Complementar nº 621, de 28 de março de 2023.

Embora o objetivo no papel seja conter o avanço urbano e preservar um dos patrimônios ambientais mais relevantes do interior paulista, no cotidiano de quem vive da terra, o cenário é outro. Proprietários de grandes áreas afirmam que a narrativa pública frequentemente os torna vilões ambientais, quando, na prática, enfrentam restrições tão severas que inviabilizam a autossustentação econômica das propriedades.

Outro ponto mais sensível, é que a ampliação das normas sem garantir fiscalização efetiva fragiliza o próprio discurso ambiental: a preservação, quando não acompanhada de controle consistente, corre o risco de se tornar apenas retórica. Enquanto a legislação é clara ao vedar novos parcelamentos, atividades irregulares seguem ocorrendo sem o devido enfrentamento.

Conhecer para preservar. Participação e engajamento.

Entre exposição de arte, oficinas e trilhas a Fazenda do Sol, no bairro de Santa Clara, traz a oportunidade única de experienciar a biodiversidade local com arte. Ela é palco da 2ª edição da exposição “Serra do Japi – Aves do Japi”, que reuniu artistas plásticos de Jundiai e fica até o próximo fim de semana. “É uma forma de aproximar a comunidade com o bioma da Serra do Japi, fazer um intercâmbio entre o meio ambiente e o humano”, esclarece Arthur de Oliveira, responsável pela organização do evento. Vamos?

Rosângela Portela é jornalista e mentora em comunicação 

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