OPINIÃO

Caminhamos para o calor infernal ou à era do gelo?


| Tempo de leitura: 3 min

O mês de janeiro chegou antecipando as águas de março para todo São Paulo. Com chuvas acima do esperado, chegando a 300 mm, castigando tanto a Capital paulista como, aqui, em Jundiaí.

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostra que, “embora a previsão de chuvas intensas esteja alinhada com a climatologia de verão para grande parte do Sudeste, com acumulados acima da média previstos para quase todo o estado, a distribuição tem sido irregular com pancadas fortes e sequências de chuva intercaladas e períodos de tempo mais seco são cada vez mais comuns.”

As consequências dos “fenômenos naturais” tão frequentes na época do verão vêm demonstrando que as grandes cidades continuam despreparadas para receber esse volume de água. Já dizia minha avó: “a gente tem que respeitar a água (assim como todos os elementos da natureza). O homem não consegue ‘segurar’ a água.” Ou melhor, não é possível controlar a água. Talvez seja o momento de repensar o modelo de canalização de rios e de concretar os solos das cidades.

Ainda segundo o INMET, “o clima que presenciamos em janeiro reflete um padrão, o ciclo de verão no Sudeste brasileiro com calor e instabilidade, disparos de chuva intensos associados a frentes frias e corredores de umidade, intercalados com períodos de tempo relativamente mais estável”. Embora seja um padrão, típico de todo mês de janeiro, os problemas em decorrência do clima se repetem ano após ano e parecem insolúveis.

Enquanto São Paulo vive um verão caracterizado por calor e chuvas intensas e irregulares, no hemisfério norte os extremos climáticos têm se manifestado de maneira distinta. Nos EUA temos um frio polar, com registros de temperaturas próximas de –50 °C, e tempestades de inverno, afetando mais de 160 milhões de pessoas. Já em Portugal, chuvas extremas e tempestades fortes com vento fortes causaram inundações, danos em infraestrutura, cortes de energia e várias fatalidades. A Europa sofreu com o chamado “comboio de tempestades”, que trouxe as chuvas e ventos.

A natureza está em fúria? Será que tudo que acontece com a natureza é culpa do homem? Uma das explicações vem da Universidade da Califórnia: “a Terra tem ciclos naturais de resfriamento e aquecimento em escalas geológicas longas. Alguns mecanismos climáticos complexos podem, teoricamente, levar a estados climáticos muito frios num futuro remoto sob condições específicas, mas isso não é previsível para as próximas centenas de anos com base nas evidências atuais. O aquecimento global em curso, somados ao uso inadequado dos recursos naturais são fatores que moldam o clima nas escalas de tempo relevantes para a vida humana e as sociedades contemporâneas.”

Para além da Agenda da COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – e do encontro que aconteceu em Belém, no período de 10 a 21 de novembro de 2025, temos que começar a pensar que somos habitantes do planeta Terra e qualquer ação individual ou coletiva traz consequências não só para a população como também para o reino mineral, vegetal e animal.

Parece que as noções básicas de ciências e de comportamento foram esquecidas. Lembremos de apenas uma palavra: Respeito, no sentido de apreço, consideração, deferência. Atitude jogada para escanteio ultimamente.

Rosângela Portela é jornalista, mentora em comunicação  

Comentários

Comentários