ESPORTE

Exposição resgata memórias e glórias do esporte jundiaiense

Por Luana Nascimbene | JORNAL DEJUNDIAI
| Tempo de leitura: 4 min
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O Sesc Jundiaí realiza a exposição inédita “Cidade em Movimento”
O Sesc Jundiaí realiza a exposição inédita “Cidade em Movimento”

Magic Paula, Oscar Schmidt, o time tricampeão da Superliga de vôlei feminino Leites Nestlé, a equipe de basquete feminino Divino/Perdigão, além de jogadores de futebol que passaram pela Seleção Brasileira como Grafi te, Doni, Nenê, Dalmo Gaspar e Mario Milani. O que estes nomes têm em comum, além de terem marcado a história do esporte nacional? Todos eles têm, em algum momento de sua trajetória, a passagem pela cidade de Jundiaí.

Reconhecendo a relevância do esporte na formação da identidade de Jundiaí, tanto no cenário regional como nacional, relembrando atletas, equipes, fatos e curiosidades históricas, o Sesc realiza
a exposição inédita “Cidade em Movimento”. O Sesc Jundiaí convida o público para a cerimônia de abertura, que acontece no dia 3 de outubro, às 11h. A visitação é gratuita e a exposição fica em cartaz até 22 de fevereiro de 2026.

Com curadoria das pesquisadoras Aira Bonfim e Luciane de Castro, e assistência curatorial de Michele Silva Joaquim, a exposição reunirá, distribuídos entre os cerca de 500 m² do percurso expositivo, registros históricos, objetos, imagens e relatos que revelam a importância dos espaços esportivos e das práticas corporais para a vida comunitária da cidade. A mostra percorre a inspiradora trajetória esportiva de Jundiaí e alguns de seus personagens icônicos, os espaços que marcaram a cultura local e as memórias que conectam passado e presente.

A exposição conta com um dispositivo interativo de registro de memórias orais. Nele, o público pode
destacar um endereço no mapa da cidade e deixar um breve depoimento sobre suas lembranças esportivas e de lazer. Após passar por uma curadoria, este material será incorporado à mostra e poderá ser ouvido pelos visitantes.

PALCOS HISTÓRICOS
Na mostra, ginásios, clubes, praças e parques são revisitados como lugares de sociabilidade e memória, com o público sendo convidado a refletir sobre como esses espaços marcaram a vida de gerações e contribuíram para a projeção de Jundiaí no cenário regional e nacional.

Dentre eles está o Clube Beneficente Cultural e Recreativo Jundiaiense 28 de Setembro, clube social
negro mais antigo em funcionamento no estado de São Paulo – fundado em 02 de abril de 1895 por ferroviários negros da Companhia Paulista de Estradas de Ferro – e terceiro mais antigo do Brasil, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Jundiaí.

O clube comemorará seus 130 anos de existência junto com a inauguração da exposição e parte signifi cativa do acervo fotográfico preservado e recentemente digitalizado será apresentado de maneira inédita na expografi a da mostra.

“Muito mais do que um espaço dançante, o clube teve rinque de patinação, espaço para jogos de xadrez, time de futebol, e times de basquete masculino e feminino, numa pluralidade de esportes para a população negra da cidade. O clube é símbolo da resistência negra, espaço de educação
e cultura ao longo dos seus 130 anos”, afi rma a assistente curatorial da mostra, Michele Silva Joaquim.

Já o Complexo Esportivo Nicolino de Lucca, principal equipamento dedicado ao esporte da cidade,
popularmente conhecido como Bolão, também é um dos destaques da exposição. Inaugurado em 1953 com arquitetura assinada pelo próprio prefeito Vasco Venchiarutti, tinha um dos maiores vãos livres em cúpula de concreto do país na época, fato que rendeu prêmio no Salão Paulista de Belas Artes.

Será exposta ao público a bola de basquete do famoso ponto inaugural do ginásio, convertido por Neyde Carlos Pereira, uma atleta notável que ficou carinhosamente conhecida como “Ponce de Leon”. Naquela época, com apenas 18 anos, Neyde brilhou em uma partida de basquete eletrizante entre as equipes de Jundiaí e Itatiba, realizada durante os prestigiados 18º Jogos Abertos do Interior.

FUTEBOL
A mostra evidencia o passado de formação do futebol em Jundiaí, em um período em que ainda não
havia distinção clara entre equipes profissionais e amadoras. O próprio time do Hydecroft Foot-ball
Club, o primeiro do interior do estado a disputar o Campeonato Paulista pela Liga Paulista de Football (LPF) em 1914, foi formado no Gymnasio Hydecroft, terceira escola da cidade inaugurada em 1907.

Também há destaque para a rivalidade entre os clubes mais tradicionais locais, o Paulista FC e o Comercial FC, representada por um suposto galo que apareceu pintado de azul no quintal alheio. A mostra também traz à tona uma fotografi a rara de 1943, quando atrizes do Circo Rosário, usando o uniforme do Comercial, disputavam partidas em plena lona circense — uma alternativa encontrada em tempos de proibição legal do futebol feminino no Brasil.

A partir do circuito boleiro amador, a exposição também homenageia o clube do Promeca, responsável não apenas por promover o esporte bretão local, mas em 1958, em meio a um campeonato escolar, permitir com que o futuro atleta olímpico, Nelson Prudêncio, desses seus primeiros pulos de destaque – isso enquanto trabalhava como aprendiz na Promeca S.A., empresa fabricante de tornos mecânicos.

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