NA INFÂNCIA

Videogame pode ser aliado?

Por Letícia Malatesta | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
Arthur e Murilo, ambos apaixonados por games
Arthur e Murilo, ambos apaixonados por games

Um novo conceito vem surgindo e derrubando o mito de que os jogos eletrônicos são vilões para as crianças. Os novos defensores dessa prática dizem que jogar videogame estimula o processo de criação e aumentam emoções bem como o nosso processo criativo.

Uma pesquisa realizada na Suíça pelos pesquisadores do Karolinska Institutet mostrou que crianças que jogaram mais videogames aumentaram sua inteligência em aproximadamente 2,5 pontos de QI a mais do que a média.

Demis Hassabis, que quando criança projetou e programou um jogo multimilionário chamado “Theme Parkainda” na adolescência, antes de ingressar na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, comenta sobre o videogame na vida das crianças, em entrevista para a BBC.

“Videogames podem estimular a criatividade das crianças. Você nunca sabe onde as paixões -como videogames- podem te levar, então eu apenas encorajaria os pais a deixarem seus filhos realmente apaixonados pelas coisas e, então, desenvolverem habilidades por meio disso.”

Laura Moratti relata sobre como os jogos eletrônicos interferiram na vida de seus dois filhos de 12 anos, os gêmeos Arthur e Murilo. “O interesse por games começou com três anos e continua até hoje. Eles amam tudo que é relacionado, então acabam fazendo amizade com crianças que possuem o mesmo interesse.”

Murilo conta que os videogames o instigam. “O amor pelo videogame fez eu ter curiosidade sobre o assunto, me despertou a vontade de criar meu próprio jogo, então decidi fazer aulas de programação para aprender e criar novos jogos”, diz.

Segundo a mãe, além do jogo estimular o interesse pela programação, também os ensinou a lidar com desafios. “Os jogos os ensinaram que mesmo com frustrações eles podem vencer desafios com persistência e repetições até alcançar os objetivos.”

Atenção ao o que e quanto é consumido 

A psicóloga Juliana Camilo explica a ligação entre o aprendizado e o ato de jogar videogame, apontando que os jogos podem ser utilizados como uma ferramenta importane para o desenvolvimento cognitivo e social da criança. "Atualmente existem diversas pesquisas que comprovam a relação entre jogos eletrônicos e criatividade, habilidade motora e outras capacidades mentais. Isso acontece porque os jogos transformam o processo de aprendizagem em uma condição dinâmica, o que facilita na retenção de informações.”

Ela alerta, porém, sobre o uso excessivo das telas e o respeito a classificação etária dos jogos. “Um estudo realizado na Universidade de Oxford define que o período de até uma hora de utilização do videogame, respeitando as indicações etárias e com a supervisão de responsáveis acerca do conteúdo a ser consumido, pode favorecer desenvolvimento, mas, por outro lado, crianças que faziam o uso por mais de três horas apresentavam problemas de socialização e comunicação", pontua.

Isso porque, de acordo com ela, o uso exagerado pode trazer problemas diretos à saúde mental e física. "Consequências como sedentarismo e isolamento são condições comuns que podem surgir com o uso exagerado do videogame. Além disso, pode existir maior dificuldade de concentração, problemas de aprendizado e prejuízos relacionados à má postura e movimentos repetitivos”, finaliza.

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