Em meio a tantas plataformas digitais de músicas, algumas pessoas ainda preferem mídias físicas, como CDs e discos de vinil e esse amor vai além da nostalgia.
O jornalista Thiago Secco, de 46 anos, coleciona LPs desde criança e tem uma coleção de mais de 600 exemplares. Entre os gêneros, o que mais se destaca é o Rock Progressivo, Hard Rock e Heavy Metal.
Thiago comenta sua preferência pela mídia física. "Eu gosto da mídia física, sobretudo de edições limitadas e especiais, com informações, fotos, encartes caprichados e outras coisas que enriquecem a experiência. Acredito que um álbum deve ser ouvido em sua totalidade, e isso envolve concepção gráfica, visual, letras e tudo o que possa envolver o universo daquele disco."
Segundo dados coletados pela Business Process Improvement (BPI), a comercialização de discos de vinil, que voltou a ser moda nos últimos anos, aumentou 15% nos primeiros meses de 2023 (via MusicWeek). A empresa relatou, que foram vendidos 3.952.262 vinis.
Vivian Rosa, uma das proprietárias de um sebo/livraria na rua Barão de Jundiaí, que possui cerca de 2 mil vinis e 1 mil CDs, comenta que no último ano, o público se expandiu além dos fãs da nostalgia e conquistou os jovens. "Por causa de novos discos, de cantores como Olívia Rodrigo e Shawn Mendes, além de relançamentos de discos, conseguimos atingir um novo público, os jovens". E complementa. "Os CDs, em sua maioria, são comprados para colecionar, já os discos, vemos que é diferente. A galera compra pra ouvir mesmo, até porque a qualidade do som é totalmente diferente."
Higor Codarin é DJ e utiliza discos de vinil. Começou a tocar como uma brincadeira entre amigos. "Sempre gostei de saber a história das músicas e dos discos e falo sobre isso com muita empolgação. Dessa empolgação surgiram os primeiros convites de amigos para fazer festas informais. A partir de então, passei a tocar em alguns lugares. Grande parte dos DJs que admiro tocam com vinil", conta.
Seu apreço por mídias físicas vence as facilidades das novas plataformas de música. "Eu continuo consumindo mídias físicas por dois principais motivos. Por um lado o afetivo, que está relacionado à perspectiva de entender um álbum como uma obra artística feita por um conjunto de artistas, não apenas o músico principal, há um trabalho desde a capa, passando pelos instrumentistas e produtores musicais que tornam o álbum uma obra complexa. Ligado a isso, existe o outro motivo, que é, justamente, uma espécie de resistência à digitalização completa de nossas vidas, embora exista a praticidade, a música digital tira de um álbum o aspecto de totalidade. Ouvimos, cada vez mais, músicas avulsas, sem possibilidade de saber em quais álbuns elas estão, quem as fez e o período em que foram feitas. Isso faz com que a música, consequentemente, os álbuns percam importância enquanto um todo pensado, desde a arte de capa até a ordem das músicas. A relação com as mídias digitais acaba tornando a música mais superficial, efêmera", afirma Higor.