Opinião

A energia 'perversa' do frio

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Existem certas partes da teoria que rege a Medicina Tradicional Chinesa que são bem populares entre as pessoas, que normalmente julgam entender, mas, dentro de um olhar mais cuidadoso, vemos que corre muita desinformação.

Para além das bases taoístas dos fundamentos, que são derivados do "Yin e do Yang" , temos a teoria da "invasão" das alterações climáticas, dentre elas, uma muito frequente na época em que vivemos atualmente, o Inverno.

Trata-se do famoso temor ao "frio" que é tratado como se fosse um ser com personalidade (energeticamente ele o é, por mais estranho que isso possa parecer para nossa cultura ocidental). Mesmo para os que nunca tiveram contato com a medicina oriental, o temor pela "friagem" é muito comum.

Quem possui doenças degenerativas como artrose sabe dos efeitos deletérios de se expor ao frio, seja ele proveniente de um ambiente natural ou produzido por meios artificiais como o ar-condicionado em temperaturas muito baixas.

Também proveniente da cultura ocidental, e de acordo com as premissas desse conhecimento, existem as práticas de "escalda-pés", advindas dos nossos avós e bisavós, visando expurgar a presença do frio no corpo todo a partir do aquecimento dos pés, quase sempre acompanhado do efeito aromático de ervas medicinais.

Quero, no entanto, enfatizar um aspecto que é pouco conhecido nesta teoria. Devemos nos atentar é o seguinte fato: de 10 pessoas que se expõem ao frio exagerado, seis desenvolvem alguma doença ou sintoma decorrente desta exposição. O que aconteceu de diferente com as outras quatro que não desenvolveram os sintomas?

Partindo da visão da Medicina ocidental contemporânea, poderíamos falar de imunidade: aqueles que não desenvolveram sintomas a possuem em pleno funcionamento, muitas vezes graças a estímulos que fazemos antes mesmo de nos expormos a fatores climáticos potencialmente deletérios. Aí está a justificativa para o uso dos "imunogênicos", como a vitamina C e o própolis, por exemplo.

Contudo, a teoria da medicina tradicional chinesa vai um pouco além disso: ela disse que somente somos afetados pelo frio exterior se tivermos o mesmo tipo de energia dentro de nós. Aparentemente quem desenvolveu essa teoria tinha algum grau de consciência ao que chamamos de "ressonância quântica", ou seja, vibrações deletérias da energia "perversa" só podem nos afetar acaso tenhamos a mesma frequência energética dentro do nosso próprio sistema estruturado.

"Um frio superficial só pode penetrar em quem tem frio interior", assim é dito na teoria. O que isso significa? Que todo o processo de adoecimento se inicia na perda da capacidade do próprio aquecimento. Tecnicamente chamamos isso de "deficiência do yang", ou seja, a perda do potencial de gerar a própria energia.

Normalmente, quando estamos com "idade avançada", perdemos essa capacidade de nos aquecer tal como um carro que já rodou muito tem seu motor enfraquecido e as suas propriedades de aceleração e velocidade estão comprometidas. Por esse motivo que idosos de maneira geral são mais sensíveis a alterações climáticas, em particular ao frio. 

Alexandre Martin é médico especialista em acupuntura, com formação em medicina chinesa e osteopatia (xan.martin@gmail.com)

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