O incentivo à venda do carro popular no Brasil vem sendo positivo e já foi quase completamente utilizado. Em menos de três semanas, fabricantes pediram R$ 420 milhões dos R$ 500 milhões disponibilizados pelo projeto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A medida prevê isenções para carros que custem até R$ 120 mil e isso inclusive motivou as montadoras a abaixarem os preços de alguns modelos.
No entanto, o carro mais barato à venda no Brasil hoje tem valor a partir de R$ 58.990, já com a redução, o que equivale a 44,7 salários mínimos. Isso tem feito com que muitas pessoas ainda reclamem dos preços de veículos no país. E, de fato, estão bem mais caros. Há quatro anos, 28 salários mínimos eram suficientes para comprar o automóvel novo mais barato.
MOVIMENTO
Para as concessionárias, a medida foi excelente, pois volta a aumentar vendas após uma baixa. Gerente da Concessionária Luchini Chevrolet, Edivaldo Garcia Ruiz diz que o período teve o dobro de interesse dos consumidores levando em consideração o fluxo de visitas à loja, solicitações de informações e negociações.
"Foi muito positivo para a gente, deu uma boa acelerada nas vendas e as pessoas estão aproveitando. A procura vinha em uma média e, na hora que entrou o incentivo, teve aumento na procura. O incentivo entra em toda a linha Ônix, dois modelos de entrada da linha Spin e uma versão da Montana também", explica ele, lembrando que, pela condição limitada do incentivo, a recomendação aos clientes é que comprem o quanto antes.
Há também condições de pagamento diferentes, para que a taxa de juros alta não espante o consumidor. "Temos o banco GM, da montadora, então temos uma linha de financiamento com taxas atrativas. A maioria dos carros tem o incentivo do governo e uma taxa que, se a pessoa dá uma entrada de 70%, que seria o veículo usado entrando na troca, é possível conseguir taxa de 0% a 1% ao mês", diz Edivaldo.
Presidente do Grupo Andreta e da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave), José Mauricio Andreta Junior diz que a medida vem sendo muito positiva e apenas na primeira semana aumentou entre 30% e 260% o volume de negociações e vendas em algumas marcas.
"Houve um certo compasso de espera, por parte do consumidor, entre o dia 25 de maio, quando o vice-presidente e ministro do MDIC Geraldo Alckmin anunciou que medidas de incentivo seriam adotadas, e a efetiva publicação da MP 1.175 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de junho. Além disso, mesmo após a publicação da MP, houve o processo de troca de notas fiscais entre Concessionárias e montadoras, sobre os veículos em estoque, o que retardou um pouco a efetivação de algumas vendas. Mas, sem qualquer sombra de dúvida, feito isso, a procura e a realização de negócios entrou em escala ascendente", explica Andreta Jr.
Para ele, mesmo com os juros elevados, há condições diferentes na venda de veículos. "Os bancos ligados às montadoras estão oferecendo incentivos, com taxas atrativas aos clientes, além dos descontos adicionais que os fabricantes estão somando aos bônus do governo, dependendo do modelo do veículo. Isso tem viabilizado as vendas ao consumidor, que prefere pagar uma entrada, seja em dinheiro ou com oferta de um veículo usado, e o saldo financiado pelo banco da montadora, com taxas menores e até subsidiadas. Mas ainda temos muitas pessoas preferindo adquirir carros à vista."
REAÇÃO EM CADEIA
Ainda segundo Edivaldo, da Luchini, os outros setores de vendas de veículos foram impactados pelo incentivo. "Por incrível que pareça, o incentivo ajudou na venda de novos e também acabou movimentando o setor de seminovos e usados. A compra de carro novo, geralmente também abastece os estoques de seminovos e isso faz o preço abaixar."
O mesmo acontece na Andreta, de acordo com José Mauricio Andreta Júnior. "Está ocorrendo um reflexo proporcional, em função do aumento das vendas de carros novos. Os usados e seminovos tiveram seus preços reduzidos e como muitas vendas de novos são feitas tendo o usado como base de troca, estamos movimentando também esse segmento. Isso é o normal do mercado. Ou seja, a economia está voltando a girar, a população que perdeu poder de compra está retornando ao consumo e isso é muito positivo", comenta.